Aliados de Sarkozy são presos por caso de suborno no Paquistão

Testemunha no casamento do presidente é acusada de receber propina e assessor está sob investigação por transporte do dinheiro

iG São Paulo |

Reuters
Nicolas Bazire, em foto tirada em 1995, conversa com o candidato à presidência da França Edouard Balladur
Amigos do presidente francês, Nicolas Sarkozy, foram detidos na quarta-feira por conta do possível envolvimento em um caso de corrupção  ligado à venda de armas e a um ataque a bomba que provocou mortes no Paquistão, disseram advogados e fontes policiais nesta quinta.

O caso traz de volta à tona a Questão Karachi sete meses antes da eleição presidencial na França, que, segundo pesquisas de intenção de voto, traria a derrota de Sarkozy, se fosse realizada hoje.

Thierry Gaubert, amigo e assessor de Sarkozy durante muitos anos, foi detido e colocado sob investigação por suspeita de ter transportado dinheiro de suborno recebido pela venda de submarinos ao Paquistão em malas de viagem para a França.

Nicolas Bazire, que foi uma testemunha no casamento de Sarkozy com Carla Bruni em 2008, foi detido na quarta-feira e acusado de ter recebido o dinheiro entregue por Gaubert em Paris. Segundo a BBC, ele foi interrogado durante a noite e solto na quinta-feira.

Sarkozy negou envolvimento com o suposto caso de corrupção. Em comunicado divulgado nesta quinta, o gabinete do presidente francês afirmou que seu nome não é mencionado em nenhum dos documentos da investigação, e atacou "a calúnia e a manipulação política" sobre o caso.

Os problemas jurídicos dos dois acusados são uma reviravolta no complexo caso que busca determinar se o ataque a bomba de 2002 em Karachi, no qual 11 trabalhadores franceses foram mortos, foi uma represália contra a França por sua decisão de parar de pagar comissões ao Paquistão pela venda de armas.

A questão também se relaciona à política francesa, porque juízes suspeitam que as propinas ajudaram a financiar a campanha presidencial de , um ex-premiê conservador, em 1995. Bazire era chefe de gabinete de Balladur, que nega todas as acusações.

As famílias das vítimas pediram a Sarkozy - que era ministro do Orçamento no governo de Balladur e porta-voz de sua campanha - que responda às perguntas sobre os subornos e sobre um elaborado esquema de financiamento visando enviar dinheiro para a França.

Com AP e Reuters

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