Aliados de Israel pedem investigação sobre crimes em Gaza

Países tradicionalmente aliados a Israel na ONU pediram que as autoridades israelenses conduzam uma investigação completa sobre as alegações de um relatório que alega que foram cometidos crimes de guerra durante a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, entre dezembro de 2008 e janeiro deste ano.

BBC Brasil |


O relatório da ONU, conduzido pelo ex-promotor do tribunal internacional de crimes de guerra, o juiz sul-africano Richard Goldstone, acusa tanto Israel como o grupo palestino Hamas de ter cometido os crimes.

Goldstone recomenda no documento que o caso seja levado a um tribunal internacional em Haia, na Holanda, se tanto Israel como o Hamas não investigarem minuciosamente nos próximos seis meses o que ocorreu em Gaza.

A pressão para que Israel conduza investigações completas e imparciais as alegações de crimes partiu de países como Estados Unidos, França e Grã-Bretanha.

"Consideramos as alegações do relatório muito sérias. Israel possui as instituições e a capacidade de investigar seriamente as acusações e o encorajamos a fazê-lo", disse o vice-embaixador americano para a ONU em Genebra, Alejandro Wolff.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu tanto Israel como o Hamas investiguem o ocorrido "sem demora".

'Recompensa para o terror'

Nesta quinta-feira, os países-membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU voltaram a debater se o órgão deve ou não endossar o relatório de Goldstone. O embaixador israelense para a ONU em Genebra, Aharon Leshno Yaar, pediu que o Conselho rejeite as conclusões do Estudo.

"Da forma que está, a resolução será uma recompensa para o terror e enviará uma mensagem clara a terroristas de todo o mundo de que esta forma de guerra usada pelo Hamas em Gaza oferece imunidade, já que os países vão ser impedidos de responder com eficiência", disse.

Recomenda também que o Conselho de Segurança da ONU nomeie uma equipe de especialistas para monitorar e prestar esclarecimentos sobre eventuais investigações feitas por Israel.

Israel rejeita as alegações, afirmando que já investigou o comportamento de seus soldados. A maioria dos acusados foi absolvida nestas investigações. O grupo palestino Hamas também nega ter cometido crimes.

Mortes

O relatório de Goldstone acusa Israel de usar força desproporcional e ferir propositalmente civis durante os 22 dias da ofensiva.

A operação destruiu milhares de residências, centenas de fábricas e 80 prédios oficiais de Gaza. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que foram mortas mais de 1.400 pessoas neste período, mais da metade civis e pelo menos um terço delas, crianças.

Israel afirma que o número de palestinos mortos foi de 1.166, e menos de 300 destes, civis. Militantes do Hamas são acusados de atirar foguetes artesanais indiscriminadamente contra civis israelenses. Três civis e 10 soldados israelenses morreram durante a ofensiva.

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