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Aliados de Bush, australianos se dizem mais seguros com Obama

Aliados nas guerras empreendidas pelo atual ocupante da Casa Branca, o republicano George W. Bush, no Iraque e no Afeganistão, os australianos demonstraram sua satisfação com a eleição do seu crítico e sucessor, o democrata Barack Obama.

BBC Brasil |

Bares e pubs das principais cidades do país instalaram telões e ficaram lotados com partidários e interessados na eleição presidencial americana.

No Manning bar, no centro de Sydney, cerca de 1,3 mil pessoas compareceram para assistir à contagem dos votos. Entre australianos e americanos, 90% delas apoiavam Obama.

"Esse é um reinício para o mundo, não só para a América. Se um líder é respeitado por todos, como Obama é, fará melhor para o mundo", disse a australiana Ashley Radich, estudante de relações internacionais em Sydney.

"Ele vai unir o mundo e espalhar a riqueza e as oportunidades na América de forma igualitária", afirmou ela, entusiasmada com o resultado.

Para Philip Amos, australiano que também acompanhava ansioso a contagem dos votos, "Obama não se elegeu apenas presidente da América, mas do mundo. Nós nos sentimos mais seguros com ele no poder", disse, emocionado.

Já o republicano novaiorquino James Morrow, há sete anos na Austrália, disse que esperava a derrota de seu candidato, John McCain, mas não com uma diferença tão grande de votos.

"Numa época de crise como esta, era uma luta difícil para McCain, mas ele fez muito bem mesmo assim. Os democratas são anti-globalização, e para a Austrália isso será ruim em termos de trocas comerciais", disse.

Preferência por Obama
Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Americanos da Universidade de Sydney mostrou que para quatro australianos a favor de Obama, um é partidário de McCain.

"Até mesmo os Liberais (partido do ex-primeiro-ministro australiano Jonh Howard) o apóiam aqui", disse o americano do Centro de Estudos dos EUA em Sydney Todd Stvrain, que mora há sete anos na Austrália.

A Austrália e os Estados Unidos são parceiros políticos e econômicos de longa data. Uma aliança militar que começou em 1951 levou tropas australianas a Guerra do Vietnã e, mais recentemente, após os ataques de 2001, ao Iraque e Afeganistão.

A Austrália também é um dos poucos países que podem exportar produtos livres de impostos para os EUA, efeito do tratado de livre comércio bilateral.

O primeiro ministro australiano, Kevin Rudd, parabenizou Barack Obama, dizendo que ele conquistou o célebre sonho ao qual Martin Luter King se referiu 45 anos atrás.

Rudd afirmou a repórteres que o resultado é a prova da maturidade e força dos americanos, e acrescentou que vai continuar a manter relações próximas com os Estados Unidos.

Um fator que pode desapontar Kevin Rudd, no entanto, é a mudança climática. Uma das primeiras ações do primeiro-ministro australiano ao assumir o cargo, em novembro de 2007, foi assinar o protocolo de Kyoto.

Observadores acreditam que Barack Obama, por sua vez, deve dar prioridade à independência energética dos EUA ao invés de cortar emissões de gases.

Já na questão militar, ambos os líderes estão de acordo. Diferente dos governos anteriores, querem suas tropas militares fora do Iraque e de volta ao Afeganistão.

Apesar de as relações entre os dois governos ainda ser uma incógnita, os australianos se mostram positivos quando ao governo de Obama.

"(São povos que) têm muitas características parecidas, como a mentalidade de encontrar soluções e de olhar para os pequenos problemas", disse o diretor de Estudos Americanos na Austrália Geoffrey Garett.

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