Aliado de Berlusconi lança ameaça de eleições antecipadas

Por Deepa Babington ROMA (Reuters) - Um aliado poderoso do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, lançou a ameaça de eleições antecipadas a não ser que a coalizão governista siga uma linha dura com relação à imigração, intensificando as discussões após uma semana de disputas internas no governo.

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Parece pouco provável que Berlusconi perca o poder no futuro próximo, já que seu governo controla as duas casas do Parlamento e ele conserva sua popularidade, apesar dos escândalos envolvendo suas relações com mulheres e festas com a presença de garotas de programa.

Mas os escândalos enfraqueceram Berlusconi politicamente, e a referência aberta a eleições antecipadas feita pela Liga Norte, que é contra a imigração, aponta para o aprofundamento das divisões na coalizão, enquanto os dois principais partidos aliados de Berlusconi se desentendem publicamente sobre a imigração.

Esta semana o líder da Liga Norte, Umberto Bossi, criticou fortemente o presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, o outro grande parceiro do governo, dizendo que ele cometeu suicídio político ao defender o direito de voto para os imigrantes legais.

Ex-neofascista que hoje se aproximou mais do centro, Fini respondeu que negar direitos aos imigrantes é "o suicídio da razão e da compaixão cristã".

As declarações coroaram uma semana de tensões fortes no interior da coalizão governista, depois de o jornal Il Giornale, da família Berlusconi, ter acusado Fini de flertar com a oposição, enquanto Fini se desentendeu publicamente com Berlusconi sobre problemas partidários internos.

Alguns comentaristas vêem as disputas mais recentes como uma tomada de posições antes da eventual batalha pela sucessão de Berlusconi, que desagradou a Igreja Católica e viu sua popularidade cair para 50 por cento em função do furor em torno de sua vida particular.

Fini, que este ano fundiu seu partido pós-fascista Aliança Nacional com o partido de Berlusconi, frequentemente é visto como herdeiro político do premiê.

Mas sua aparição no sábado na conferência do partido centrista UDC levou a especulações de que ele possa deixar a coalizão de Berlusconi para unir-se ao líder do UDC Pier Ferdinando Casini, que pode receber alguns dos votos dos eleitores católicos desiludidos com Berlusconi.

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