Aliado de Berlusconi é eleito prefeito de Roma

O candidato Gianni Alemanno, do partido Aliança Nacional, de inspiração neofascista, foi eleito prefeito de Roma nesta segunda-feira ao derrotar no segundo turno um adversário da coalizão de centro-esquerda que governou a cidade nos últimos 15 anos. Gianni Alemanno foi eleito com 53,6% dos votos.

BBC Brasil |

A vitória do aliado do novo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, está sendo definida como um terremoto pela imprensa italiana porque, pela primeira vez em sua história, Roma tem um prefeito de direita.

Na maior parte dos últimos 30 anos, a capital italiana foi governada por prefeitos ligados à esquerda, considerados competentes administradores públicos. "Caiu um sistema de poder", afirmou o novo prefeito, ao comentar o resultado.

Um dos primeiros telegramas enviados por Gianni Alemanno como prefeito eleito foi endereçado ao papa Bento 16, para garantir "total colaboração com a comunidade católica para o bem de todos os cidadãos romanos".

Estrangeiros ilegais
De acordo com analistas políticos, Alemanno deve a vitória principalmente à campanha que fez em favor de maior segurança e rigor contra os estrangeiros que estão ilegalmente na cidade.

A segurança foi um dos fatores que garantiram a vitória nas eleições gerais de 13 e 14 de abril à coalizão de direita Povo da Liberdade, liderada por Silvio Berlusconi e da qual o partido Aliança Nacional, de Gianni Alemanno, faz parte.

O resultado da votação em Roma completa a vitória da direita nas eleições, segundo Berlusconi, cujo governo deve tomar posse na metade de maio.

"Sou o homem mais feliz da Itália", comentou o novo primeiro-ministro, um dos homens mais ricos do país, magnata do setor de comunicação e presidente do Milan.

Surpresa
A derrota foi uma surpresa para a esquerda, que, no primeiro turno, registrava uma vantagem de cerca cinco pontos percentuais sobre o candidato da direita.

"É uma vitória de todos os romanos, basta com os venenos, os velhos esquemas e as lógicas do passado", disse Alemanno, que iniciou sua carreira política no grupo de inspiração fascista Movimento Social e foi ministro da Agricultura do governo anterior de Berlusconi.

De acordo com analistas, o resultado em Roma deve ter fortes repercussões na formação da centro-esquerda italiana, representada pelo Partido Democrata (PD).

Espera-se uma mudança nos quadros dirigentes do PD, liderado por Walter Veltroni.

"A derrota é muito grave e pesada, um insucesso que sinto com amargura pessoal e política", admitiu Veltroni, ex-prefeito de Roma que renunciou ao cargo para se candidatar à vaga de primeiro-ministro nas eleições de 13 de abril, quando acabou derrotado por Silvio Berlusconi.

O candidato a prefeito de Roma pela centro-esquerda era Francesco Rutelli, que administrou a cidade de 1993 a 2001.

Rutelli e Veltroni receberam muitos elogios por sua administração de Roma nos últimos 15 anos, marcada por uma revitalização da vida cultural, obras de infra-estrutura e bons indicadores econômicos.

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