Alheia às críticas, Coreia do Norte está pronta para lançar satélite

País deve lançar projétil entre quinta (12) e segunda-feira (16); EUA e Coreia do Sul alegam teste de míssil encoberto

EFE |

A Coreia do Norte finaliza os preparativos para o iminente lançamento de seu satélite Kwangmyongsong-3, apesar de países como Coreia do Sul e Estados Unidos pedirem para que desista do plano, considerado um teste de mísseis encoberto. As três partes do foguete portador Unha-3 ("Via Láctea 3" em coreano) já estão acopladas e posicionadas na plataforma de lançamento de Sohae, na província de Pyongan do Norte, segundo indicou nesta segunda-feira a agência estatal norte-coreana "KCNA".

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Após completar a carga de combustível, último passo antes do lançamento, o projétil estará pronto para decolar em algum momento entre esta quinta-feira (12) e a próxima segunda-feira (16), informou a televisão norte-coreana "KCTV". O lançamento do foguete, de 91 toneladas e 30 metros de longitude, coincide com as celebrações na Coreia do Norte pelo centenário, no próximo domingo, do nascimento de Kim Il-sung, fundador de um regime comunista ancorado na realidade bipolar da Guerra Fria e caracterizado pelo culto extremo a seus líderes.

Em uma campanha orientada a demonstrar que seu projeto espacial possui fins pacíficos, a Coreia do Norte organizou uma exaustiva e pouco habitual visita à base de Sohae para 60 jornalistas de 19 países e especialistas em ciência e tecnologia estrangeiros. Ali, as autoridades do Comitê de Tecnologia Espacial do país mostraram aos visitantes o foguete Unha-3, que parte da comunidade internacional considera o protótipo de um futuro míssil de longo alcance que poderia transportar ogivas nucleares.

Além do polêmico foguete portador, os jornalistas e analistas observaram o satélite que a Coreia do Norte planeja pôr em órbita, o Kwangmyongsong-3, equipado com câmeras e antenas e coberto de painéis solares, detalhou a "KCTV". Uma vez em órbita, o satélite "recopilará informação sobre distribuição de recursos florestais no país, gravidade dos desastres naturais, estimativa de colheitas, previsões meteorológicas e estudo dos recursos naturais", asseguraram as autoridades norte-coreanas.

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A incomum demonstração de transparência da Coreia do Norte, que prometeu respeitar as normas internacionais no lançamento, não mudou a postura dos EUA e da Coreia do Sul que, apoiados por vários países e pela ONU, solicitaram que Pyongyang dê marcha à ré em sua nova suposta aventura espacial. Os aliados ocidentais acreditam que o terceiro lançamento ao espaço de um foguete de longo alcance norte-coreano - os dois anteriores aconteceram em 1998 e 2009 - viola a resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU, que proíbe o país comunista de realizar testes balísticos.

O braço executivo das Nações Unidas estabeleceu esta resolução, que inclui duras sanções, em 2009, quando a Coreia do Norte realizou um teste nuclear um mês e meio após lançar - sem sucesso, segundo analistas internacionais - o satélite Kwangmyongsong-2. À inquietação pelo próximo lançamento se soma o temor de outro teste nuclear do país comunista, especialmente depois que recentes fotografias feitas por satélite teriam revelado movimentos incomuns na base de Punggye-ri, no nordeste do país e onde a Coreia do Norte realizou o teste atômico de 2009 e outro em 2006.

As imagens mostram a escavação de túneis em sua fase final, segundo fontes dos serviços sul-coreanos de inteligência citados pela agência local "Yonhap", que interpretaram que Pyongyang "realiza preparativos clandestinos" para um novo teste atômico. Em paralelo, a Coreia do Norte viverá nesta semana uma intensa agenda política, já que o centenário de seu fundador no domingo será precedido por uma importante conferência do Partido dos Trabalhadores nesta quarta-feira e uma sessão do Parlamento na sexta.

Na conferência da quarta-feira pode ser oficializada a promoção do jovem líder Kim Jong-un ao posto de secretário-geral do partido único, anteriormente ocupado por seu pai, Kim Jong-il, falecido em dezembro. Esta eventual promoção representaria mais um passo para consolidar a sucessão dinástica, enquanto na sessão do Parlamento, a primeira desde a morte de Kim Jong-il, o jovem sucessor pode ser nomeado presidente da poderosa Comissão Nacional de Defesa.

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