Alguns agentes que vigiaram Jean Charles não tinham foto do suspeito

Londres, 25 set (EFE).- Alguns dos agentes que vigiavam a casa do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros por policiais da Scotland Yard que o confundiram com um terrorista suicida, não tinham uma foto do suspeito, afirmou hoje o advogado que representa a família do jovem.

EFE |

Os agentes só tinham visto uma imagem de má qualidade de Hussain Osman, um dos terroristas que em 21 de julho de 2005, um dia antes da morte de Jean Charles, tinham tentado atacar a rede de transportes de Londres, disse o advogado Michael Mansfield na investigação pública sobre o caso.

Mansfield perguntou ao oficial John McDowall, que foi o responsável por planejar a estratégia para capturar Osman, se ele sabia que alguns dos agentes tinham saído às ruas sem levar uma fotografia.

McDowall, que prestou depoimento perante a investigação judicial, respondeu que não estava a par disso.

Em seu testemunho, o oficial considerou que "houve uma identificação errada e depois houve dúvidas sobre se essa identificação foi correta ou não".

"Acho que isso teve um papel decisivo no trágico resultado que conhecemos agora", acrescentou.

Jean Charles recebeu um tiro à queima-roupa na estação de Stockwell em 22 de julho de 2005, um dia depois dos atentados fracassados contra a rede de transportes de Londres, que pretendiam imitar os ataques de 7 de julho daquele ano, que deixaram 56 mortos e mais de 700 feridos.

Cerca de 100 pessoas, entre elas 65 policiais, foram convocadas a prestar depoimento nesta investigação, que deve durar aproximadamente três meses e está a cargo do ex-juiz do Tribunal Superior de Londres Michael Wright.

Entre os assuntos que Wright deverá abordar estão a legalidade das medidas tomadas pela Polícia na manhã de 22 de julho de 2005, e como Jean Charles conseguiu pegar um ônibus para chegar à estação de Stockwell, já que as forças da ordem o seguiam desde um apartamento no bairro de Tulse Hill.

Entre os chamados a depor estão dois agentes que fizeram os disparos, identificados como "Charlie 2" e "Charlie 12", mas eles declararão protegidos por biombos, para não serem reconhecidos.

Uma testemunha-chave será Cressida Dick, responsável direta da operação e que, em um julgamento anterior, foi absolvida por um júri de qualquer culpa pessoal na morte do brasileiro. EFE ep/ir

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