Alexander Dubcek, o ícone do socialismo com o rosto humano

Alexander Dubcek, o comunista reformista que encarnou a Primavera de Praga, pagou com um alto preço o sonho de um socialismo com o rosto humano.

AFP |

Em abril de 1968 a Praça de São Venceslau em Praga, então Tchecoslováquia, enchia-se de cidadãos, sobretudo jovens, para mostrar sua alegria com o início das medidas liberalizantes postas em prática pelo novo Secretário-Geral do Partido Comunista Tcheco, Alexander Dubcek, dando início ao movimento conhecido como a Primavera de Praga.

As medidas tomadas voltavam-se para a afirmação da liberdade política, econômica, cultural e religiosa da Tchecoslováquia no contexto do Pacto de Varsóvia e do mundo socialista, então liderado pela União Soviética chefiada por Leonid Brezhnev.

No mês de junho de 1968, foi publicado um texto na Liternární Listy (Gazeta Literária), por Ludvík Vaculík e assinado por personalidades de todos os setores sociais, pedindo a Dubcek que acelerasse o processo de abertura política. Acreditavam que era possível transformar, pacificamente, um regime ortodoxo comunista em uma social-democracia aos moldes ocidentais. Com estas propostas, Dubcek tentava, assim, provar a possibilidade de coexistência de uma economia coletivizada com ampla liberdade democrática.

Meses depois, a União Soviética, temendo a influência que uma Thecoslováquia democrática e socialista, independente da influência soviética e com garantias de liberdade à sociedade, pudesse passar às nações socialistas e às "democracias populares", mandou os tanques do Pacto de Varsóvia invadirem a capital Praga em 20 de Agosto de 1968. Confrontos entre tropas do Pacto e manifestantes aconteceram nas ruas da cidade. Dubcek foi detido por soldados soviéticos, levado para Moscou e destituído do cargo.

A Primavera de Praga conhecida como a experiência frustrada de construção de um socialismo com um rosto humano, chegava ao fim de forma violenta.

"Que eles me tenham feito isso, após uma vida inteira consagrada à cooperação com a União Soviética, é a grande tragédia de minha vida", lamentou quando, na noite de 20 a 21 de agosto de 1968, os tanques soviéticos esmagaram a esperança nascida de suas tímidas reformas.

As reformas foram canceladas e o regime de partido único continuou a vigorar na Tchecoslováquia. Em protesto contra o fim das liberdades conquistadas, o jovem Jan Palach ateou fogo ao próprio corpo numa praça de Praga em 16 de Janeiro de 1969.

Dubcek voltou a reaparecer em público durante a "Revolução de Veludo" de novembro de 1989, mas o país preferiu o dramaturgo dissidente Vaclav Havel para dirigir seu destino. Dubcek tornou-se presidente do Parlamento em 1989-1992, na liderança do partido Social-Democrata, mas morreu no dia 7 de novembro de 1992 em conseqüência de um acidente de carro.

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