Alerta pandêmico para gripe suína se torna um problema para a OMS

O tema da declaração de alerta pandêmico de gripe suína se tornou uma verdadeira dor de cabeça para a Organização Mundial de Saúde (OMS), à qual vários países pediram para que refletisse a respeito.

AFP |

"A decisão de declarar uma pandemia de gripe é uma responsabilidade que levo muito, mas muito a sério", disse a diretora da OMS Margaret Chan aos 193 Estados-membros da organização, reunidos na semana passada em Genebra para sua assembleia anual.

A doutora Chan, renomada especialista em ameaças pandêmicas, permaneceu sem dar pistas sobre suas intenções, limitando-se a garantir que consultará, conforme o procedimento, o Comitê de Urgência da OMS antes de declarar a primeira pandemia gripal do século XXI.

Interpelada de maneira insistente por vários Estados --alguns deles muito afetados, como o Reino Unido e o Japão-- que pedem que seja "flexível" nos critérios de lançamento do alerta, a diretora-geral disse que "ouviu com atenção (suas) preocupações", mas que levará primeiro em consideração qual é o risco para a população.

Margaret Chan ganhou notoriedade em 1997 por sua enérgica gestão da crise de gripe aviária em Hong Kong, ordenando, apesar dos protestos, o sacrifício de 1,4 milhão de aves criadas na ex-colônia britânica.

O mundo está desde 29 de abril em alerta sanitário de nível 5, o penúltimo na escala de ameaça de seis graus, que indica a "iminência" de uma pandemia de gripe suína. Segundo os critérios da OMS, o alerta máximo, nível 6, será declarado quando um "foco autônomo" da doença for registrado fora do continente americano, onde o vírus mutante fez as primeiras vítimas.

No entanto, o caráter "mecânico" da escala de alerta baseado estritamente na propagação geográfica do vírus mutante, sem levar em conta a gravidade dos sintomas, é cada vez mais questionado.

"As fases 5 e 6 são quase as mesmas em matéria de medidas", disse Chan tentando minimizar o problema ante os delegados dos países que se preocupam com os efeitos negativos que o alerta pandêmico máximo poderia causar em suas economias, já muito fragilizadas pela crise.

A diretora da OMS também advertiu para o inimigo, que é um vírus "sutil e traiçoeiro" que não revelou ainda todos os seus segredos.

Até agora tão mortífera quanto a gripe clássica, com 86 mortes em mais de 11.000 casos identificados, a gripe suína provocada pelo vírus A(H1N1) poderá se transformar em um grande problema nos países pobres, especialmente do hemisfério sul, onde começa a temporada de inverno, propícia a epidemias gripais, advertiu.

Além disso, essa época "dá aos vírus da gripe uma oportunidade de se misturar e trocar material genético de maneira imprevista", acrescentou Chan.

Os especialistas da OMS temem um coquetel devastador que reúna as características do vírus A(H1N1), muito contagioso, e do vírus aviário H5N1, muito forte.

Submetida às pressões de importantes países-membros, a OMS pretende agora considerar outros critérios que não sejam apenas os geográficos.

"O que vamos examinar são os fatores que significariam um aumento substancial do risco para a população", indicou o adjunto de Chan, o doutor Keiji Fukuda. Por exemplo, "uma mudança na gravidade clínica (da doença) ou outro tipo de sinal, como o impacto no hemisfério sul".

Os especialistas terão que trabalhar agora quase às cegas. A OMS se preocupa porque a maioria dos países em desenvolvimento não tem os meios para diagnosticar a gripe de temporada e, muito menos, o vírus A(H1N1).

dro/dm

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