Alemanha tenta encontrar fonte de surto de bactéria intestinal

Número de mortos sobe para 17, enquanto há 1.534 contaminados com a E. Coli Enterohemorrágica

iG São Paulo |

AP
A ministra da Agricultura da Alemanha, Ilse Aigner, fala sobre surto de bactéria instestinal
A ministra da Agricultura da Alemanha, Ilse Aigner, disse nesta quarta-feira que cientistas trabalham sem parar para encontrar a fonte de um incomum cepa da bactéria E. coli que, acredita-se, espalhou-se pela Europa em vegetais que foram contaminados em algum momento da longa jornada desde seu cultivo até sua comercialização.

O número de mortes pelo surto chegou nesta quarta-feira a 17, com as autoridades alemãs informando que uma mulher de 84 anos com complicações morreu no domingo.

O Instituto Robert Koch, agência nacional de saúde da Alemanha, disse que 1.534 pessoas no país foram contaminados com a E. Coli Enterohemorrágica (EHEC), uma cepa particularmente mortal da E. coli comum, que é encontrada em grandes quantidades nos sistemas digestivos de humanos, gado e outros mamíferos. Na terça-feira, o número de casos era de 1.169.

Mas a E. Coli Enterohemorrágica (EHEC) causa sintomas mais severos, que vão desde diarreia com sangue à síndrome hemolítico-urêmica (SHU). Segundo o Instituto Robert Koch, 470 pessoas estão sofrendo com a SHU. Na terça-feira, havia registro de 373 casos de SHU, que ataca os rins, às vezes causando convulsões, derrames e comas.

"Centenas de testes foram feitos, e as agências responsáveis determinaram que a maioria dos pacientes doentes comeu pepinos, tomates e folhas de alface, principalmente no norte da Alemanha", disse Ilse. "Os Estados que conduziram os testes agora têm de fazer o caminho inverso desde a comercialização para ver como esses produtos chegaram aqui."

Inicialmente, as autoridades alemãs apontaram poucos pepinos espanhóis como causa, mas testes adicionais mostraram que esses vegetais, apesar de contaminados, não causaram o surto. Apesar disso, as autoridades alertaram todos os alemães a evitar comer pepinos, tomates e alfaces crus.

"A Alemanha reconhece que os pepinos espanhóis não são a causa", disse na terça-feira o secretário alemão da Agricultura, Robert Kloos, nos bastidores de uma reunião de ministros da Agricultura da União Europeia na Hungria.

O vice-primeiro-ministro da Espanha, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que o governo espanhol está analisando a possibilidade de processar autoridades da cidade de Hamburgo, na Alemanha, depois de terem, inicialmente, atribuído a pepinos importados da Espanha o início do atual surto na Europa.

Casos na Europa

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), casos de EHEC foram relatados em nove países europeus: Áustria, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. Com exceção de dois casos, todos os outros são de pessoas da Alemanha ou que recentemente viajaram ao norte do país, disse a OMS. 

De acordo com o presidente da federação de exportadores de frutas e vegetais da Espanha, Jorge Brotons, há um "efeito dominó" e quase toda a Europa parou de comprar os produtos espanhóis. Segundo ele, a crise está custando aos exportadores do país cerca de 200 milhões de euros por semana.

*Com AP, BBC e Reuters

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG