Alemanha sentencia suposto ex-guarda nazista a cinco anos

Após condenar John Demjanjuk, de 91 anos, pela morte de 28 mil judeus durante 2ª Guerra, corte decide libertá-lo por possível apelação

iG São Paulo |

O Tribunal de Munique, na Alemanha, condenou nesta quinta-feira John Demjanjuk, que foi guarda no campo de extermínio nazista de Sobibor e tem 91 anos, a cinco anos de prisão por cumplicidade na morte de 28.060 judeus.

Apesar da sentença, Demjanjuk será libertado nesta quinta-feira por causa de sua idade, o fato de não ser mais perigoso e de não poder deixar o país por ser apátrida e carecer de documento de identidade, disse o juiz. Além disso, o veredicto definitivo pode demorar vários meses, já que o acusado pode apelar da decisão.

O tribunal de Munique, após um julgamento de 18 meses, concluiu que Demjanjuk, apátrida de origem ucraniana que teve sua nacionalidade americana cassada, foi guarda do campo de Sobibor, situado atualmente na Polônia, durante seis meses do ano de 1943.

No total, 28.060 mil judeus, principalmente holandeses, foram exterminados durante o período de Demjanjuk no campo. "Como guarda, ele participou nos assassinatos de mais de 28 mil pessoas", disse o presidente do tribunal, o juiz Ralphe Alt. Estimadas 250 mil pessoas morreram nas câmaras de gás de Sobibor.

Em maio de 2009, Demjanjuk foi expulso dos Estados Unidos, onde morava desde 1952. Ele já havia sido condenado à morte na forca em Israel em 1988 como o suposto "Ivan, o Terrível" do campo nazista de Treblinka, mas a sentença foi revogada cinco anos depois por dúvidas sobre se essa identidade era de outro ucraniano.

A sentença anunciada por cumplicidade com o Holocausto é um ano inferior à condenação de seis anos pedida pela acusação. A defesa pedia sua absolvição por considerar que Demjanjuk não foi responsável pelos crimes do nazismo, mas, sim, mais uma vítima do regime.

Nascido na Ucrânia em 1920, Demjanjuk foi capturado como soldado soviético em 1942 pelos nazistas, que o transformaram em "Trawniki" ou guarda voluntário de Sobibor, concebido exclusivamente como campo de extermínio e onde eram mortos judeus deportados de toda a Europa na câmara de gás.

A investigação em Munique foi aberta em 30 de novembro de 2009. O processo foi marcado pela ausência de testemunhas que pudessem identificá-lo, já que quase não há sobreviventes de Sobibor, e teve como base o número 1393 na folha de serviços, segundo o qual Iwan Demjanjuk - seu nome de batismo antes de migrar para os EUA - foi um dos 120 "Trawniki" do campo.

O processado serviu em Sobibor entre março e setembro de 1943, ano em que o campo foi desmantelado.

A defesa argumentava que ele foi obrigado a servir aos nazistas para evitar a execução, argumentando ao longo do julgamento que vários oficiais da forças nazistas encarregados de lhe dar ordens foram absolvidos pela justiça alemã em 1966.

O acusado assistiu ao processo em uma cadeira de rodas. Demjanjuk estava em prisão preventiva desde sua chegada à Alemanha e, de acordo com as orientações médicas, seu julgamento ocorreu com o máximo de duas audiências por semana - em atenção a seu estado físico e idade.

*Com EFE e AFP

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