Alemanha resiste a pressões sobre ajuda à Grécia

Bruxelas, 24 mar (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, resistia hoje, antes do começo de uma cúpula decisiva em Bruxelas, à pressão de seus principais parceiros europeus por um mecanismo de ajuda à Grécia.

EFE |

Nos mercados de câmbio, o euro voltava a cair empurrado pela incerteza sobre o destino das finanças públicas gregas e pela notícia da desvalorização da dívida portuguesa.

Apesar das chamadas da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), da Presidência de turno do bloco europeu (ocupada pela Espanha) e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã continua sem dar sinal verde a uma reunião dos 16 líderes da zona do euro para dar um alívio à Grécia.

Embora ontem tenha sido dado como certo o encontro de chefes de Estado e de Governo dos países de moeda única antes da cúpula geral da UE, a demora em convocar a reunião e as dúvidas expressadas de novo em Berlim elevaram a incerteza ao máximo.

Funcionários do Governo alemão voltaram a insistir hoje que não chegou o momento de agir pela Grécia, já que não "houve um pedido" oficial.

Enquanto isso, os contatos e as chamadas à ação se redobraram nas últimas horas entre os representantes europeus com o objetivo de tentar vencer a resistência de Merkel.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, viajou esta manhã a Paris para tratar o tema com Sarkozy durante um almoço de trabalho. Do encontro, sabe-se apenas de que ambos concordaram em vários pontos.

No dia anterior, Sarkozy conversou com o chefe de Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e ambos pediram publicamente a realização da reunião de líderes da zona do euro amanhã, antes do início do Conselho Europeu.

Por outro lado, em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, voltou a exigir hoje dos Governos que pactuem o mais rápido possível um instrumento financeiro de ajuda à Grécia para o caso de ser necessário.

O presidente do Executivo da UE apelou à "responsabilidade" e "solidariedade" dos líderes europeus e insistiu que esse mecanismo seria uma espécie de "rede de segurança", que só seria utilizada "no caso de outras soluções se esgotarem".

A mensagem de Barroso no Parlamento Europeu, onde recebeu apoio, insistia na linha expressada horas antes pelo comissário europeu de assuntos econômicos, Olli Rehn, que também encorajou os líderes comunitários a entrar em acordo sobre uma fórmula de apoio a Atenas.

Segundo Rehn, apesar do duro ajuste financeiro aprovado por Atenas, "nem Grécia nem a zona do euro estão fora de perigo".

As incógnitas sobre a modalidade e a quantidade da ajuda, assim como sobre a eventual participação do Fundo Monetário Internacional (FMI), também seguem sem serem despejadas. Fontes diplomáticas asseguram que o tema "ainda está muito aberto".

As mesmas fontes explicaram em Bruxelas que a participação do FMI na eventual ajuda à Grécia é um dos temas que estão discutindo Van Rompuy, Merkel, Sarkozy, Papandreu e os demais principais participantes da negociação.

O Governo da Alemanha pressionou para que a ajuda contenha "uma contribuição substancial do FMI", que poderia ter o apoio voluntário de "todos os países da zona do euro", segundo informações da imprensa local.

A participação do FMI é uma opção que, em princípio, foi descartada, mas que foi ganhando adeptos na última semana, embora a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu, Sarkozy e o próprio Governo grego tenham apostado o tempo todo num apoio dos países de moeda única.

No entanto, diplomatas asseguram que "ninguém deseja" que a "solução europeia" seja arrancada com o custo de pôr em perigo a sobrevivência da coalizão de Governo na Alemanha, onde os liberais se mostram extremamente reticentes a qualquer operação que se assemelhe a um resgate proibido pelo tratado do bloco.

A proximidade das eleições regionais no estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, crucial para a coalizão de democratas cristãos e liberais, explicaria a resistência da chanceler a levar adiante a operação em apoio à Grécia. EFE mgs/rr

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