Alemanha quer proibir paintball por causa de massacre em escola

O governo alemão anunciou um plano que prevê a proibição de jogos de paintball como parte de novas medidas para tentar evitar massacres em escolas, como o ocorrido em março na cidade de Winnenden.

BBC Brasil |

As medidas visam fortalecer o controle do uso de armas no país. Nos jogos de paintball são usadas armas, inofensivas, carregadas com bolas de tinta.

No trágico incidente em Winnenden , um jovem de 17 anos invadiu uma escola na cidade do sul da Alemanha e matou 15 pessoas, antes de se suicidar. O rapaz tinha conseguido a pistola do crime no quarto de seu pai, sócio de um clube de tiro e que mantinha legalmente uma coleção de 15 armas em casa.

A oposição acusa a proposta de ser apenas um paliativo, uma forma que o governo encontrou para satisfazer o forte lobby pró-armas no país.

Parentes das vítimas do massacre de Winnenden afirmaram que as mudanças são insuficientes e reivindicam a proibição das armas de grosso calibre.

Armas ilegais

Além de propor multa de até 5 mil euros (cerca de R$ 14,1 mil) para quem participar de jogos físicos simulando batalhas, como paintball, o projeto de lei também concede à polícia o poder de inspecionar residências em que são mantidas armas legais.

O projeto de lei, que será submetido ao Parlamento alemão ainda neste ano, oferece uma anistia para quem possuir armas ilegais e as entregar voluntariamente às autoridades. O governo estima que existam cerca de 20 milhões de armas ilegais na Alemanha.

Segundo membros da coalizão de governo, o paintball, em que são usadas armas que disparam bolas de tinta colorida, incita a violência e simula assassinatos.

A decisão de proibir o jogo, entretanto, foi duramente criticada no país. "Com essa mesma argumentação, poderiam proibir também a pistola d'água e os soldadinhos de chumbo", ironiza o jornal Die Welt.

"Em esportes como o esgrima e o box, os praticantes também simulam lutas e atingem seus adversários", compara Arne Petry, porta-voz da Liga Alemã de Paintball. Os praticantes do jogo acusam os políticos alemães de fazer da brincadeira um bode expiatório.

'Medida ridícula'

Ulla Jelpke, representante do partido "Die Linke" (a esquerda, em português), classificou a medida de "ridícula". "Em massacres e dramas familiares não são usadas bolas coloridas, mas munição que mata", disse.

A política pediu uma proibição da manutenção de armas de fogo dentro de lares privados alemães. A chefe do Partido Verde, Claudia Roth, afirmou que o governo decepcionou, ao perder a oportunidade para proibir armas de grande calibre.

A Alemanha tem uma das maiores comunidades de praticantes de paintball na Europa, com cerca de 20 mil integrantes. No país, a regulamentação do jogo é bastante rígida, e sua prática só é permitido para maiores de 18 anos. Nos EUA, onde o esporte foi criado, menores de 14 já podem praticá-lo.

A última modificação endurecendo as leis que regulamentam o porte de armas na Alemanha ocorreu em 2002, depois que Robert Steinhauser, de 19 anos, matou 16 pessoas antes de se suicidar, em uma escola na cidade de Erfurt, no leste da Alemanha.

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