Alemanha, o país da cerveja, em guerra contra bebedeiras nas ruas

Na Alemanha, onde a cerveja e a água mineral são vendidas pelo mesmo preço, os jovens consomem cada vez mais álcool nas ruas para o descontentamento das autoridades, que agora se propõem a acabar com as bebedeiras em via pública.

AFP |

Nos centros de cidades como Berlim, Hamburgo ou Dusseldorf, cascos de garrafas vazias se converteram em parte da paisagem urbana nos fins de semana.

No país, onde cada habitante consome em média 10 litros de álcool puro por ano, segundo dados da União Européia (UE), as autoridades municipais de uma dezena de grandes cidades tentam limitar os danos causados.

Nos últimos 12 meses, as medidas de controle foram multiplicadas para diminuir, especialmente, os episódios de violência relacionados ao álcool.

"Estávamos registrando uma onda de violência, principalmente entre os jovens", declarou Franz-Reinhard Habbel, porta-voz da Associação de Cidades e Bairros Alemães.

As autoridades locais se viram obrigadas a tomar iniciativas já que não existe nenhuma lei federal que regule o consumo de álcool em vias públicas.

Em Magdeburgo, capital do Estado oriental de Saxônia Anhalt, a prefeita proibiu em fevereiro o consumo de álcool entre as 18H00 e as 06H00 na principal praça do centro da cidade e nas proximidades.

Desde então, o "número de delitos diminuiu consideravelmente", de acordo com Holger Platz, um responsável municipal.

Em Friburgo (sudeste), beber álcool em ruas do centro está proibido desde o dia 1 de janeiro, entre as 22H00 e as 06H00, de sexta-feira a domingo.

Medidas similares foram adotadas em Marburgo, Premnitz e Euskrichen, enquanto que o prefeito de Heidelberg (oeste), Wolfgang Erichson, anunciou que quer seguir o exemplo para combater aqueles que "querem unicamente se embebedar pelas nossas ruas".

O Estado de Baden-Wurtemberg (oeste) quer proibir a venda de álcool nos postos de gasolina e em supermercados durante a noite.

E na grande cidade portuária de Hamburgo, ao norte da Alemanha, a prefeita pediu aos proprietários de pequenos comércios que deixem de vender bebidas em garrafas de vidro durante a noite no bairro de San Pauli, que atrai aproximadamente 100 mil visitantes nos sábados de verão.

Nessa região, a polícia, que instalou câmeras de segurança, autorizou a detenção de jovens que apresentem sinais de embriaguez.

"O álcool é quase sempre um dos fatores da violência e do vandalismo", afirmou Rudiger Holecek, porta-voz do sindicato da polícia de Berlim.

Holecek se mostrou inquieto, além disso, pela "moda atual de beber até cair e entrar em coma".

De acordo com Sabine Batzing, responsável do governo federal por questões relacionadas ao consumo de drogas, "mais de 10 milhões de pessoas na Alemanha consomem álcool de maneira danosa à saúde" e 1,6 milhão, entre 18 e 59 anos, são "dependentes".

Segundo uma recente pesquisa européia sobre estudantes e drogas, 67% dos alemães consomem cerveja, ou seja, 10% a mais que em 2003, e um em cada cinco reconhece que já se comportou de maneira violenta sob os efeitos do álcool.

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