Alemanha encerra 2008 em ciclo de recuperação econômica e entra em recessão

Rodrigo Zuleta. Berlim, 14 jan (EFE).- A economia da Alemanha encerrou em 2008 um ciclo de recuperação que havia começado três anos atrás para entrar em recessão no segundo semestre por causa em parte das repercussões da crise econômica internacional.

EFE |

Assim indicam os números de crescimento econômico (PIB) de 2008, publicados hoje pelo Escritório Federal de Estatística alemão, segundo os quais o PIB já retrocedeu nos três últimos trimestres do ano.

A Alemanha encerrou o ano com um crescimento de 1,3% graças, antes de tudo, ao bom desempenho da economia no primeiro trimestre e, depois, ao forte enfraquecimento experimentado na segunda metade do ano.

O resultado ficou abaixo da previsão do Governo, que esperava um crescimento de 1,7%, e foi claramente inferior aos resultados de 2006 - quando o PIB alemão subiu 3,0 % - e de 2007, quando houve um crescimento de 2,5%.

Embora antes da explosão da crise financeira alguns analistas tenham previsto um arrefecimento da economia, foram em boa parte as turbulências internacionais que detiveram bruscamente o que para muitos já parecia o começo de um segundo milagre alemão.

O desemprego, nos três anos de bonança, esteve diminuindo da mesma forma que o déficit e o Governo tinha chegado inclusive a fixar como meta a conquista de um orçamento equilibrado para 2010 ou 2011.

No entanto, a crise financeira internacional levou o Governo não apenas a abandonar a esperança de um orçamento equilibrado, mas a apresentar um gigantesco programa de impulso à conjuntura que produzirá um crescimento do déficit nos próximos dois anos.

O ministro das Finanças alemão, Peer Steinbrück, reconheceu que a Alemanha descumprirá em 2010 inevitavelmente o pacto de estabilidade da União Européia ao registrar um déficit fiscal que superará 4% do PIB por causa dos custos do programa conjuntural.

Este último, dotado com cerca de 50 bilhões de euros, foi aprovado hoje pelo Conselho de Ministros e a chanceler alemã Angela Merkel o defendeu ante o Parlamento dos ataques dos diferentes setores da oposição.

O Partido Liberal (FDP), o principal da oposição, acredita que o programa só fará que o déficit dispare e não servirá para reativar a economia, o Partido da Esquerda acredita que faz demais pelas empresas e muito pouco pelo cidadão comum e Os Verdes consideram o programa uma acumulação de medidas individuais sem coordenação alguma.

Merkel se defendeu antes de tudo da reprovação de disparar o déficit dizendo que em momentos excepcionais são necessárias medidas extraordinárias e que isto justifica as novas dívidas.

"Foi a decisão política mais difícil que tive que tomar durante meu Governo, mas acho que com isto respondemos adequadamente à dimensão extraordinária da crise que vivemos", declarou Merkel Ao Parlamento.

"As novas dívidas não são expressão de uma política equivocada, mas da crise mesma", acrescentou.

Além disso, lembrou o bom desempenho da economia nos últimos anos e afirmou que a crise que seu Governo tem que enfrentar agora não é feita em casa, mas é o resultado de excessos nos mercados internacionais.

"A Alemanha goza de boa saúde. Os excessos financeiros são os que levaram o mundo a esta crise e as medidas políticas de todos os Estados têm que levar ao fim da mesma", declarou Merkel.

Apesar dos programas de investimentos e dos alívios fiscais para fomentar a demanda interna que contemplam o plano de apoio à conjuntura, os especialistas esperam que este ano para a Alemanha seja de recessão.

O presidente do Bundesbank (banco central alemão), Axel Weber, por exemplo, considera que a economia só recuperará o rumo de crescimento em 2010. EFE rz/fal

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