Cracóvia (Polônia), 19 fev (EFE).- Os ministros da Defesa da Otan aplaudiram hoje a decisão dos Estados Unidos de enviar outros 17 mil soldados ao Afeganistão, mas apenas Alemanha e Itália aceitaram seguir este exemplo no encontro informal realizado hoje em Cracóvia.

Os outros países do bloco disseram que estão dispostos a fazer alguma contribuição durante as eleições presidenciais afegãs de 20 de agosto, mas não necessariamente com o envio de mais soldados.

A Alemanha disse que vai enviar mais 800 soldados (200 deles apenas para as eleições) ao país árabe, enquanto a Itália mandará 500 permanentes e entre 200 e 250 somente para o pleito.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, que assistiu a um conselho da Otan pela primeira vez como membro do Governo de Barack Obama (ele fez parte da Administração George W.Bush), advertiu que "todos devem fazer mais" pelo Afeganistão.

Por isso, pediu que os outros países-membros da Otan respondam com um maior compromisso ao envio de 17 mil soldados americanos antes do meio do ano ao país que invadiram em 2001.

"Este não deve ser visto como um esforço extra somente dos Estados Unidos, e os demais aliados precisam agir em harmonia com nossa postura", disse Gates.

A ideia apontada pelo americano de usar a Força de Resposta Rápida da Otan (composta por tropas terrestres, aéreas e marítimas e capacitada para se desdobrar em cinco dias) para o apoio às eleições foi descartada pelos outros membros do bloco.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, insistiu em que as nações da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) devem "fornecer mais forças, instrutores e apoio para uma abordagem global do conflito".

Scheffer afirmou que a Otan "não pode se permitir pagar o preço de uma derrota no Afeganistão", e disse que "os países do bloco não podem se enganar pensando em que há uma solução militar".

Por este motivo, a aliança está em processo de revisar sua estratégia político-militar, em colaboração com os EUA, para dar um enfoque mais regional (de colaboração com o Paquistão) e acelerar a transferência de poder às autoridades afegãs.

"Precisamos de uma aproximação regional, porque o Afeganistão não é uma ilha. Precisamos de um maior esforço civil, combinado com nossas operações militares, se não quisermos desperdiçar tempo e recursos muito valiosos", assegurou.

A ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón, se mostrou "muito satisfeita" com este rumo da estratégia da Otan, e afirmou que "pela primeira vez se abriu um horizonte de esperança para revisar a resposta aliada no Afeganistão".

"Estamos há muito tempo pedindo uma mudança de rumo, e agora, com o novo Governo de Obama, estamos nesse caminho", disse a ministra.

Além da reunião dos aliados, houve um encontro das 41 nações que colaboram com a Isaf, composta atualmente por 55.100 soldados.

Por outro lado, os ministros decidiram voltar a enviar um dispositivo naval para lutar contra a pirataria na Somália entre os meses de março e julho. EFE met/mh

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