Alemanha e China juntam forças para enfrentar crise econômica

Berlim, 29 jan (EFE).- Alemanha e China se juntaram hoje para enfrentar a crise econômica mundial, ao se comprometerem a trabalhar lado a lado na hora de superá-la e de não cair no protecionismo.

EFE |

"China e Alemanha têm interesses parecidos, porque ambos dependem muito de suas exportações. Ambos coincidimos em que o protecionismo não pode ser a resposta, mas precisamos de mercados abertos", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, em entrevista coletiva com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.

Wen visitou Berlim dentro de uma viagem pela Europa marcada claramente pelo desejo de Pequim de lançar uma mensagem de tranquilidade aos mercados e de cooperação aos Estados.

Durante o café-da-manhã que mantiveram juntos, após o qual assinaram vários projetos de cooperação empresarial, almoçaram e participaram de um fórum econômico teuto-chinês, Merkel e Wen concordaram em "manter" e inclusive "aprofundar" a cooperação comercial bilateral.

Merkel ressaltou que tudo isso acontece em um entorno bastante difícil, em um ano no qual a China enfrentará um crescimento pequeno e a Alemanha sofrerá uma recessão.

Por isso, segundo Wen, é particularmente importante que os dois países se aproximem para enfrentar a crise e contribuam em conjunto para superá-la.

O primeiro-ministro destacou que, em 2008, a troca comercial bilateral chegou a US$ 115 bilhões, um quarto do comércio europeu, e anunciou que, para este "difícil" ano, a China se propôs manter o mesmo nível.

"A China não quer um superávit comercial. Assim que voltar, enviarei uma delegação à Alemanha para que venha a comprar produtos alemães e os leve à China", ressaltou.

O primeiro-ministro chinês assegurou ainda que o programa de reativação econômica aprovado pelo Governo por um valor de 460 bilhões de euros também está "aberto" a investidores estrangeiros.

Ele lembrou que as leis chinesas contemplam que, nas parcerias, os dois lados que assinam o negócio estejam em paridade de condições.

Nesse contexto, Merkel acrescentou que empresas alemãs mostraram interesse em participar de projetos de infraestrutura.

Coincidindo com a visita, o consórcio industrial alemão Thyssenkrupp assinou um contrato para fornecer à China a tecnologia para ampliar sua rede do trem magnético Transrapid, que atualmente liga Xangai ao aeroporto da cidade.

O grupo chinês Sany assinou um contrato para a construção de uma fábrica de maquinaria na Alemanha, no que será o maior investimento chinês na Europa.

Questionado sobre a política monetária do Governo - a China é acusada de manipular o câmbio do iuane para fortalecer o mercado exportador-, Wen destacou que, desde a reforma do sistema, a divisa "se ajusta às necessidades do mercado, é flexível e se rege por uma cesta de moedas".

O primeiro-ministro insistiu em que, desde a citada reforma, o iuane foi revalorizado em 20% em relação ao dólar, e assegurou que as oscilações que estão sendo vivenciadas são um fenômeno mundial, e "não culpa da China".

Por outro lado, a chanceler reconheceu que a crise atual demonstrou que o Grupo dos Oito (G8, os sete países mais ricos e a Rússia) "já não é suficiente" para resolver a maioria dos problemas internacionais.

Embora durante a Presidência alemã do G8 em 2007 tenha sido a mesma Merkel que abriu o chamado "processo de Heiligendamm", voltado a reforçar a cooperação com os cinco principais países emergentes (Brasil, China, México, Índia e África do Sul), sempre hesitou em substituir formalmente este seleto grupo por um mais amplo.

Na terceira visita de Wen à Alemanha, Merkel abordou o problema dos direitos humanos em Tibete, assunto que, em 2007, levou a uma interrupção nas relações, porque a chanceler recebeu o dalai lama na sede governamental.

A chanceler afirmou hoje que, no café-da-manhã com Wen, tinha manifestado o "grande interesse" do país de que "comecem as conversas com representantes do dalai lama", e assegurou que a Alemanha "está disposta a participar construtivamente" no processo de diálogo, se a China desejar. EFE ih/db

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