Alemanha contabiliza 14 mortos por surto de bactéria intestinal

Contaminação levou Rússia a suspender importação de vegetais da Alemanha e da Espanha; República Tcheca, Áustria e França recolheram pepinos espanhóis

iG São Paulo |

O número de mortos na Alemanha pelo surto de uma variante da bactéria intestinal E. coli Enterohemorrágica chegou a 14, e afetou relações comerciais entre países europeus.

O surto de contaminação levou autoridades russas a suspender importações de vegetais, como pepinos e tomates da Alemanha e da Espanha.  A decisão russa foi anunciada após o pedido do governo alemão para que a população não coma pepinos até que os cientistas consigam identificar a origem da bactéria.

"Pedimos à população que não compre verduras frescas da Alemanha e da Espanha. Comprem produtos nacionais", disse Gennady Onischenko, chefe de saúde russo. Segundo ele, foi ordenada ainda a retirada do comércio das remessas de verduras dos dois países europeus.

Acredita-se que a fonte da infecção sejam pepinos contaminados que foram importados da Espanha e depois enviados da Alemanha para outros países europeus, mas isso ainda terá que ser confirmado por testes. Cientistas suspeitam que pepinos, tomates e alface possam ter espalhado a bactéria, mas até agora apenas amostras de pepinos analisados em Hamburgo, na Alemanha, tiveram a contaminação constatada.

AP
Vendedor de rua é visto perto de pepinos expostos para venda do lado de fora de mercado de Berlim, Alemanha
O surto foi detectado após uma análise, entre outras verduras, de quatro pepinos escolhidos aleatoriamente no mercado central de Hamburgo, dos quais três procediam da Espanha - um deles de cultivo biológico - e um da Holanda, informou na sexta-feira a imprensa local.

Em meio ao pânico gerado pelo surto infeccioso, autoridades na República Tcheca, Áustria e França recolheram alguns pepinos espanhóis das lojas. A Áustria proibiu a venda de pepinos, tomates e berinjelas importadas da Alemanha. 

Dentre as vítimas recentes está uma mulher de 87 anos de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha, e outra de entre 40 e 50 anos da Renânia do Norte-Vestfália, no oeste do país. O número de casos de infecção pela bactéria intestinal chega a 1,2 mil, informou o Instituto Robert Koch de Berlim.

Anticorpo

O Instituto de Medicina de Hannover afirmou que o tratamento com o anticorpo Eculizumab, ao qual os pacientes infectados com a variante da bactéria intestinal foram submetidos, está dando resultados. Está previsto que nesta segunda-feira representantes do governo central, dos Estados federados e autoridades da área de saúde e de proteção ao consumidor se reúnam no Instituto Robert Koch para debater a situação.

Em declarações à emissora "RBB-Inforadio", o diretor do instituto, Reinhard Burger, pediu novamente à população que não consuma verduras antes de cozinhá-las.

Ele afirmou que entende a preocupação dos agricultores alemães, que se viram obrigados a destruir verduras e legumes - principalmente tomates, pepinos e alfaces - no valor de 2 milhões de euros, mas ressaltou que "proteger a saúde da população é prioridade".

Fazendas

Segundo um porta-voz da União Europeia (UE), duas fazendas espanholas identificadas como possíveis fontes do surto infeccioso foram fechadas e estão sob investigação. Autoridades espanholas disseram, no entanto, que a UE não deve se apressar em culpar os produtores da região. "Você não pode atribuir a origem desta doença à Espanha", disse em Bruxelas Diego López Garrido, secretário de Estado da Espanha para Assuntos Europeus. "Não há provas e é por isso que vamos exigir que aqueles que culparam a Espanha por essa questão respondam por seus atos."

A conselheira de agricultura e pesca da região da Andaluzia, no sul da Espanha, Clara Aguilera, disse que o pânico em relação aos pepinos espanhóis está prejudicando o setor agrário do país. “Não sei por que é interessante para as pessoas ficarem contra a Espanha, contra Andaluzia. Espero que não tenha a ver com interesses comerciais e que não continue. O dano provocado aqui é irreversível”, disse.

Na província de Almeria, no sudeste do país, plantações de pepinos estão sendo destruídas.

Segundo fontes oficiais, o ministro da Saúde alemão, Daniel Bahr, está se preparando para uma reunião de emergência com a ministra de Assuntos do Consumidor, Ilse Aigner, e com representantes de Estados alemães para discutir a situação.

O Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), com sede na Suécia, disse que o surto de SHU é “um dos maiores que já foram registrados no mundo e o maior já registrado na Alemanha”.

*Com BBC e EFE

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