Alemães orientais estão desiludidos 20 anos após queda do Muro

Por Caroline Copley BERLIM, 21 de julho (Reuters Life!) - Quase 20 anos após a queda do Muro de Berlim, apenas um em cada quatro alemães da ex-Alemanha oriental se sente inteiramente integrado.

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Cerca de 77 por cento dos alemães orientais pesquisados pela associação de bem-estar social Volkssolidaritaet se queixaram de que seus padrões de vida são inferiores aos do lado ocidental do país. E eles acham que a disparidade aumentou nos últimos dez anos.

"Muitas pessoas nos Estados orientais acham que não atingiram os mesmos padrões de vida", disse Gunnar Winkler, presidente da associação, dizendo que as pessoas sentem que lhes faltam oportunidades para melhorar de vida.

O desemprego ainda é muito maior em partes da Alemanha oriental do que no lado ocidental, e a migração, especialmente entre os jovens, é um problema grande que deixou algumas cidades da ex-Alemanha oriental quase abandonadas.

A pesquisa traz um lembrete sobre as dificuldades da reunificação, no momento em que a Alemanha se prepara para grandes comemorações para marcar o vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim, em novembro. O lado oriental seguia a ideologia comunista e estava ligado à ex-União Soviética. Com a unificação, passou a se unir ao lado capitalista do país.

Além disso, a hostilidade em relação a estrangeiros permanece alta na Alemanha oriental. Cerca de 41 por cento dos entrevistados opinou que há estrangeiros demais no país, apesar de apenas 2 por cento dos habitantes do lado oriental da Alemanha serem de outros países.

Winkler citou a ansiedade econômica como razão principal da xenofobia.

"Na ex-Alemanha oriental, alemães e estrangeiros não estavam acostumados a conviver. A maioria dos estrangeiros vivia em abrigos ou quartéis e não se misturava à população", disse ele.

Muitos políticos expressaram receios quanto à força dos neonazistas na Alemanha oriental e sobra a criminalidade de extrema direita, incluindo ataques racistas lançados nos últimos anos.

Cerca de 35 por cento dos entrevistados, principalmente os desempregados ou pessoas que vivem perto das fronteiras com a Polônia ou a República Tcheca, opinaram que os imigrantes exacerbam problemas como desemprego e criminalidade.

A pesquisa mostra que 60 por cento dos entrevistados acham que vivem melhor na Alemanha reunificada, mas ainda não sentem que pertencem realmente ao país, e quase metade acha que os representações feitos da vida na ex-Alemanha oriental são injustamente negativos.

Os resultados fazem parte de um estudo anual realizado desde 1989 com 1.900 alemães orientais de mais de 18 anos.

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