Por Daniel Wallis KOGELO, Quênia (Reuters) - Moradores da aldeia de origem da família Obama festejam com música e dança, na quarta-feira, a eleição de Barack Obama como primeiro presidente negro da história dos EUA.

Uma chuva forte durante a noite não esfriou os ânimos de centenas de moradores de Kogelo reunidos em torno de um telão para assistir os resultados. Nesta pequena localidade do oeste do Quênia nasceu o pai do candidato, que também se chamava Barack Obama.

Enquanto a alvorada tingia o céu de rosa, a população aplaudia os resultados decisivos -- Pensilvânia, Ohio -- que favoreciam o filho adotivo favorito da África Oriental. Até que chegou a notícia tão esperada: Obama estava eleito.

"Vamos para a Casa Branca, vamos para a Casa Branca!", cantavam os parentes a plenos pulmões, dançando em torno da modesta propriedade familiar e só parando para se abraçar e jogar bebês para o alto.

Amigos, parentes e uma legião de jornalistas do mundo inteiro apareceram em Kogelo, onde, aos 87 anos, mora a única avó viva do candidato -- a outra morreu nesta semana no Havaí.

"Não dormimos a noite inteira", disse à Reuters, dançando, Biosa Obama, 39 anos, cunhada do presidente-eleito. "Não sei o que dizer. É incrível demais."

Lá perto, um morador passava usando uma enorme cartola feita de fotos de Obama recortada de jornais.

Desde 2004, quando Obama disputava uma vaga no Senado por Illinois, ele é tratado como celebridade no Quênia.

Nascido no Havaí, filho de um negro queniano que havia ido estudar nos EUA e se casou com uma branca do Kansas, Obama é idolatrado ali da mesma forma como John Kennedy era tratado na Irlanda na década de 1960: como um filho da terra que chegou a lugares inimagináveis.

Bebês são batizados em sua homenagem, bares servem a cerveja "Senator", cantores pop louvam suas virtudes, e no domingo estreou em Nairóbi a peça "Obama: O Musical".

O presidente queniano, Mwai Kibaki, declarou que quinta-feira será feriado nacional para que a população festeje a vitória de Obama.

"Nós, o povo queniano, estamos imensamente orgulhosos das suas raízes quenianas. Sua vitória é não só uma aspiração de milhões de pessoas em todo o mundo, mas tem especial ressonância para nós do Quênia", disse Kibaki em nota dirigida ao presidente-eleito.

Muitos africanos esperam com fervor que o governo Obama represente mais ajuda dos EUA ao desenvolvimento local e uma melhoria nas condições de vida para a população do mais pobre dos continentes.

Mas analistas alertam que Obama pouco poderá fazer de concreto pela região, e que não demonstra em sua carreira política um interesse especial pela África.

Por enquanto, seus parentes quenianos ainda tentam digerir a novidade -- e planejam a primeira visita do Air Force One. "É uma notícia, ele ganhou", disse seu meio-irmão Sadiq Obama. "Conforme vocês podem ver, todos estão felizes. Eu estou em êxtase."

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