Albinos são mortos para prática de bruxaria na Tanzânia

Os albinos na Tanzânia estão pedindo proteção especial depois de uma série de assassinatos ligados ao tráfico de órgãos para a prática de bruxaria, segundo apurou uma investigação da BBC. Somente neste ano, 25 albinos já foram assassinados no país, entre eles um bebê de sete meses.

BBC Brasil |

Os órgãos das vítimas são usados por curandeiros que convencem seus clientes que poções feitas de pernas, cabelos, braços, sangue e mãos dos albinos podem deixar uma pessoa rica.

A feitiçaria e as práticas ocultas têm um grande apelo nesta área do mundo, especialmente em áreas rurais mais remotas perto da região de pesca e mineração de Mwanza, próxima das margens do Lago Victoria.

A polícia da cidade de Dar es Salaam diz estar intrigada para descobrir a razão pela qual as mortes estão acontecendo neste momento. No entanto, alguns oficiais acreditam que o crime organizado possa estar por trás dos assassinatos.

O presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, está pressionando a polícia para identificar as residências dos albinos e oferecer proteção.

Crimes
Uma reportagem da BBC no país enviou um homem disfarçado como um "cliente" para procurar um dos curandeiros e descobrir como funciona o esquema das poções.

O curandeiro informou o "cliente" em potencial que partes do corpo de albinos poderiam ser obtidas sem dificuldades, mas a um preço.

A polícia está investigando estas alegações. Apesar disso, as investigações sugerem que alguns policiais podem estar envolvidos no tráfico de órgãos e poderiam estar sendo pagos para não investigar estes crimes.

A repórter da BBC Karen Allen, que participou das investigações, afirma que 173 pessoas, entre curandeiros, clientes e intermediários já foram presas por envolvimento com os assassinatos, mas nenhuma delas foi acusada formalmente.

Segundo a Associação de Albinos da Tanzânia, apesar de apenas 4 mil albinos estarem oficialmente registrados no país, o número real poderia chegar a 173 mil. O governo ordenou um censo para verificar os dados sobre a população albina no país.

"Todo o pai que está criando uma criança albina na Tanzânia atualmente tem o direito de estar amedrontado. As histórias dos jovens que estão sendo roubados dos braços de seus pais ou atacados no caminho para a escola são, francamente, horrendas", afirmou Allen.

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