Albinos na Tanzânia pedem proteção contra mortes para rituais

O presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, recebeu neste domingo centenas de albinos que protestavam contra a matança de integrantes de sua comunidade para rituais de feitiçaria. Os organizadores da manifestação na capital comercial do país, Dar es Salaam, disseram que têm o objetivo de pressionar o governo para adotar medidas para proteger a sua comunidade.

BBC Brasil |

Cerca de 30 albinos - alguns, bebês - foram mortos desde novembro do ano passado e partes de seus corpos foram usadas em poções de feiticeiros, que dizem que elas têm poder para tornar as pessoas ricas.

Entre os fregueses dos feiticeiros estão empresários locais, mineiros e pescadores.

O fato de o presidente ter se encontrado publicamente com os manifestantes mostra a seriedade da situação. Há muito tempo há preconceito contra albinos na Tanzânia e em outras partes da África, mas matanças para rituais nessas proporções é um fenômeno novo.

A polícia prendeu mais de 45 pessoas em conexão com as mortes, mas até agora ninguém foi levado a julgamento.

Curandeiro
Muitas das mortes ocorrem na região de Mwanza, na margem sul do Lago Vitória.

No começo do ano, uma reportagem da BBC no país enviou um homem disfarçado como um "cliente" para procurar um dos curandeiros e descobrir como funciona o esquema das poções.

O curandeiro disse ao "cliente" em potencial que partes do corpo de albinos poderiam ser obtidas sem dificuldades, mas a um preço.

A polícia está investigando estas alegações. Apesar disso, as investigações sugerem que alguns policiais podem estar envolvidos no tráfico de órgãos e poderiam estar sendo pagos para não investigar estes crimes.

Segundo a Associação de Albinos da Tanzânia, apesar de apenas 4 mil albinos estarem oficialmente registrados no país, o número real poderia chegar a 173 mil. O governo ordenou um censo para verificar os dados sobre a população albina no país.

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