Alba endurece discurso contra EUA

Antonio Martínez. Havana, 14 dez (EFE).- A Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), fundada em 2004 pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e pelo então governante de Cuba, Fidel Castro, endureceu seu discurso antiamericano na 14ª cúpula da organização, a quinta em 2009, que terminou hoje em Havana.

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Chávez e o atual presidente cubano, Raúl Castro, atacaram a política de Washington na América Latina com palavras que fizeram alguns lembrarem da época da Guerra Fria.

Ao abrir a cúpula, no domingo, Raúl disse que cresce "o enfrentamento" entre o "império" americano e as forças "revolucionárias e progressistas" da América Latina.

Para o presidente cubano, Washington continua considerando a América Latina como seu quintal e tenta dominar a região "a qualquer preço".

A declaração final da cúpula, a qual também compareceram os governantes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, assim como representantes de outros cinco países, condena a "ofensiva política e militar" dos EUA na América Latina.

No encerramento do evento, Morales disse que a América Latina será "o segundo Vietnã" dos EUA.

O documento final rejeita em particular o acordo militar assinado recentemente por Washington e Bogotá, ao mesmo tempo em que defende o "direito" da Venezuela de pôr suas defesas militares em alerta por esse motivo.

O texto diz que "América Latina e Caribe devem ser uma região livre de bases militares estrangeiras", e que é "inaceitável utilizar a luta contra o tráfico de drogas e o terrorismo internacional como pretexto para o aumento da presença militar americana na região".

"O verdadeiro objetivo desta presença é o controle dos recursos econômicos, o domínio dos mercados e a luta contra as mudanças sociais em curso por parte dos Governos e as forças progressistas", continua a declaração.

Também foram rechaçadas as recentes advertências da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre as relações de países latino-americanos com o Irã.

Chávez disse no domingo que as palavras de Hillary "são uma ameaça principalmente contra Venezuela e Bolívia, mas é contra toda a Alba".

"São os sinais evidentes de uma ofensiva imperial que tenta frear o avanço das forças progressistas e recuperar seu quintal", disse o presidente venezuelano.

A declaração final da cúpula também reitera a "total rejeição" ao bloqueio comercial e financeiro imposto por Washington a Cuba e reivindica "seu fim imediato".

A Alba ratificou igualmente sua condenação ao golpe que derrubou o presidente hondurenho Manuel Zelaya em 28 de junho e insistiu em não reconhecer as eleições de 29 de novembro nesse país, que considerou como "ilegítimas".

Os países que integram a aliança "expressaram sua mais firme convicção de que o golpe militar em Honduras, perpetrado com o apoio dos Estados Unidos, teve como propósito frear o avanço das forças do progresso e da justiça social nesse país e na região da América Latina e do Caribe".

Além disso, alertam sobre o perigo de voltar "à época dos golpes de Estado, com o objetivo de afogar novamente os direitos dos povos e sustentar os interesses das forças da reação e do imperialismo".

Como o Governo de fato de Honduras não deixou que Zelaya saísse da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa para viajar para Cuba, ele foi representado na cúpula por sua chanceler, Patricia Rodas. EFE am/bba

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