Alba e Equador avançam em projeto de criar moeda comum

Caracas, 26 nov (EFE).- Os países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) e o Equador progrediram hoje, em Caracas, em sua intenção de criar uma moeda comum, o sucre, cujo objetivo seria permitir à região abandonar o dólar e, conseqüentemente, se fortalecer diante da crise financeira mundial.

EFE |

Em reunião extraordinária para analisar o colapso da economina mundial, representantes dos Governos de Venezuela, Bolívia, Cuba, Honduras, Nicarágua, Dominica e Equador - na condição de observador na Alba - se comprometeram a formar "equipes técnicas" que se encarregarão de desenhar o caminho a ser seguido para a concretização da nova "zona monetária".

Nesse econtro, estiveram presentes os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez; Bolívia, Evo Morales; Nicarágua, Daniel Ortega; Honduras, Manuel Zelaya; e Equador, Rafael Correa, além do vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, Ricardo Cabrisas, e do primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit.

Embora Chávez tenha enfatizado a importância de a zona monetária ser aprovada antes de 2009, a declaração final da cúpula não trouxe nenhuma data específica para os países do bloco darem um sinal verde à iniciativa.

O chefe de Estado venezuelano propôs que a Alba tente aprovar a criação da zona monetária em 13 e 14 de dezembro, durante a reunião Alba-Petrocaribe, que acontecerá em Caracas.

Porém, o presidente equatoriano e o vice-presidente do Conselho de Ministros cubano se manifestaram contra a sugestão, uma vez que o assunto é muito complexo para que uma decisão seja tomada tão cedo.

A instauração de uma zona monetária comum entre os países passaria, em uma primeira fase, pela implementação de um "sistema de compensação e moeda contábil" e também pela criação de um "fundo de compensação", que seria parcialmente alimentado com reservas internacionais dos países com condições.

"Seria uma grande decisão da Alba e do Equador implementarmos este sistema de compensação recíproca e uma moeda contábil", o que "permitiria à região" promover trocas comerciais "sem a necessidade de utilizar o dólar", afirmou Correa.

O chefe de Estado equatoriano disse ainda que o sistema de compensação e moeda contábil "serviria de base" para uma futura moeda comum, que em uma primeira etapa seria utilizada pelos países da Alba e pelo Equador, mas que depois seria estendida a toda região.

"Sucre: sistema unitário de compensação regional", assim se chamaria a hipotética moeda comum que circularia nas nações da Alba e no Equador, destacou Chávez, segundo quem a divisa "poderia começar sendo virtual" e depois poderia passar a ser "uma moeda física".

Chávez também considerou urgente a constituição de um "fundo de compensação", razão pela qual anunciou que seu Governo está disposto a contribuir com uma soma inicial de US$ 500 milhões para essa reserva.

A declaração final de Caracas também incluiu uma proposta do presidente de Honduras para a criação de um "conselho monetário mundial", que ficaria a cargo da "regulação monetária, financeira e bancária internacional".

A respeito das turbulências nos mercados internacionais, os participantes do encontro disseram que a região deve fazer frente à crise com métodos próprios, baseados desenvolvimento social e na integração política e econômica.

"Não devemos esperar nada senão de nós mesmos. Claro, ouviremos as opiniões do G20, do G21 ou de qualquer outro G, mas nós temos coisas a dizer. O sul também existe. Nós também existimos e vamos tomar decisões", disse Chávez.

Segundo os líderes que estiveram na reunião, as estratégias dos órgãos políticos e financeiros do mundo desenvolvido não só provocaram a crise mundial como nunca favoreceram o progresso dos países pobres. EFE gf/sc

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