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Alba declara apoio a Morales e rejeita separatismo de províncias bolivianas

Uma reunião cúpula extraordinária da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) expressou nesta quarta-feira seu apoio ao presidente da Bolívia, Evo Morales, condenando o separatismo dos movimentos por autonomia de províncias do país.

AFP |

"Decidimos divulgar para o mundo uma declaração de solidariedade e apoio à República da Bolívia, ao povo da Bolívia, ao companheiro Evo Morales", disse o presidente venezuelano Hugo Chávez, que convocou o encontro emergencial realizado no Palacio de Miraflores, em Caracas.

Uma declaração política fala em uma "firme rejeição aos planos de desestabilização que buscam vulnerabilizar a paz e a unidade da Bolívia".

Os membros da cúpula denunciaram uma "intenção separatista contra a Bolívia, através de um pretenso referendo convocado em uma clara violação da Constituição e das leis bolivianas", afirma a declaração

Além disso, a Alba ratificou a posição de "não reconhecer nenhuma figura jurpidica que pretenda se desprender do Estado nacional boliviano e atente contra a integridade territorial da Bolívia".

Também participaram da reunião o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e o próprio Morales. A República Dominicana se recusou a comparecer, alegando que a crise boliviana deve ser resolvida "sem ingerências externas de qualquer tipo".

Morales, que no dia 4 de maio enfrentará um referendo popular convocado por seis regiões lideradas pelo próspero departamento de Santa Cruz, que tenta aprovar seu estatuto de governo autônomo, chegou na madrugada desta quarta-feira a Caracas vindo da sede da ONU, em Nova York.

"Não estou preocupado, estou contente, estaria preocupado se meus companheiros de base estivessem contra Evo Morales", declarou o presidente boliviano em seu discurso no fim da reunião que discutiu a crise política em seu país nas Nações Unidas.

Morales disse que os grupos que lutam pela autonomia "sempre foram nossos inimigos, dos movimentos sociais".

O presidente boliviano e líder cocaleiro indígena agradeceu o grupo de países governados pela esquerda anti-Estados Unidos pela solidariedade demonstrada, referindo-se à Alba como um "movimento com muita clareza ideológica e programática para resolver nossos problemas".

Chávez convocou a reunião de emergência depois que o ditador cubano Fidel Castro, seu amigo e mentor ideológico, lançou na segunda-feira um alerta de que a América Latina está a ponto de presenciar "outra tragédia" na Bolívia.

Falando a respeito do projeto de autonomia de algumas regiões bolivianas, ao qual se opõe Morales, Fidel escreveu na segunda-feira que existe "uma ameaça de desintegração real" da Bolívia, "que levaria a lutas fratricidas nesse sofrido país".

O participantes do encontro também assinaram um acordo de cooperação em termos de soberania e segurança alimentar. "Trata-se de um tema urgente de importância geopolítica", afirmou o presidente venezuelano.

Os países da Alba igualmente deram as boas-vindas ao grupo a Fernando Lugo, recém-eleito presidente do Paraguai.

"O 'eixo do mal' continua crescendo", disse Morales, ironizando a expressão usada pelo presidente americano, George W. Bush, para designar países como Irã e Coréia do Norte.

A iniciativa da Alba gerou protestos imediatos da oposição de direita da Bolívia.

"É vergonhoso como o senhor Chávez chama nosso presidente como se fosse um funcionário subalterno dele; o presidente Morales, ao invés de dialogar com os bolivianos, vai receber instruções de Chávez", deplorou o presidente do Senado, Oscar Ortiz, dirigente da formação de direita Podemos, o maior partido de oposição.

O líder do comitê civil da próspera Santa Cruz, o empresário Branko Marinkovic, um dos chefes da oposição boliviana, classificou de "ingêrencia" a declaração de Caracas e disse que os presidentes Chávez e Morales se esforçam para impedir o referendo de 4 de maio.

vf/ap/cn

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