Bogotá, 2 nov (EFE).- A maioria dos Governos da América Latina não esconde sua preferência pelo democrata Barack Obama, embora a região assuma que seguirá sem ser uma prioridade para os Estados Unidos, independente de quem ganhar as eleições presidenciais desta terça-feira.

As afirmações de Obama sobre sua disposição de falar com os irmãos Fidel e Raúl Castro e de afrouxar o embargo que os EUA mantêm contra Cuba desde 1962 são vistas com bons olhos na ilha, onde há semanas os meios de comunicação oficiais dedicam amplos espaços à disputa eleitoral sem esconder sua inclinação rumo ao senador democrata.

O ex-presidente Fidel criticou duramente o aspirante republicano, John McCain, que, segundo sua opinião, é um "instrumento da máfia" de Miami e a quem Obama "supera em inteligência e serenidade".

Recentemente, a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, considerou "admirável" a candidatura de Obama, um homem de destaque em sua "personalidade, seu discurso e sua forma diferente de enfocar as coisas".

Para o líder equatoriano, Rafael Correa, o aspirante democrata representa "uma surpresa" e tem um discurso "mais próximo" às posições do país sul-americano.

Nesse sentido, o experiente analista político paraguaio Hugo Saguier Guanes disse à Agência Efe que o presidente de seu país, Fernando Lugo, "seria mais favorável" a Obama, cuja vitória beneficiaria a região como um todo, porque é "um homem que conhece mais profundamente a América Latina".

Segundo Lorenzo Meyer, catedrático da prestigiada universidade Colégio do México, "historicamente os presidentes menos negativos foram os democratas", embora Rosana Fuentes, professora do Instituto Tecnológico Autônomo do México (Itam), opine que seu país teve melhor sorte com os governantes republicanos em projetos de longo prazo.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, afirmou em setembro que os democratas têm "uma clara vantagem sobre os republicanos, que geraram uma plataforma conservadora demais no tema migratório", embora tenha declarado que McCain "tem um maior conhecimento da realidade" do México.

O Governo da Nicarágua também manifestou simpatia com relação a Obama. O governante do país, Daniel Ortega, chegou até a expressar "preocupação" pela segurança do candidato democrata à Casa Branca.

Uma pesquisa recente do instituto Gallup revelou que os latino-americanos preferem Obama na disputa eleitoral americana, com apoios de 27%, no México e na América Central, e 31%, na América do Sul. McCain obtém apenas 9% da preferência nas duas regiões.

No entanto, a pesquisa do Gallup reflete também um alto nível de indiferença diante do resultado das eleições nos EUA, o que - segundo o instituto - se deve ao fato de que nenhum dos candidatos se interessou de forma clara pela América Latina até agora.

"A região perdeu relevância em nível mundial. A América Latina não existiu nem nesta campanha presidencial nem nas anteriores", disse à Efe o chileno Ricardo Israel, advogado e analista político da Universidade inglesa de Essex.

"As margens para mudar (a atual situação com a América Latina) são poucas, ganhe quem ganhe as eleições", afirmou à Efe, por sua vez, o ex-chanceler uruguaio Reinaldo Gargano.

"Quem chegar à Casa Branca terá de nos respeitar, independente de quem seja", concluiu à Efe o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, que destacou ainda que o atual presidente americano, George W. Bush, "deixa para o futuro governante destroçadas" as relações "com a América Latina e o Caribe, e inclusive com o resto do mundo". EFE aagm/fr

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