A.Latina e Caribe se reúnem em busca de uma só voz para a região

Antonio Soto Playa del Carmen (México), 22 fev (EFE).- Governantes da América Latina e do Caribe iniciaram hoje uma cúpula de dois dias para avançar rumo à criação de um novo organismo internacional que possua vocação natural de unidade, destacou o presidente mexicano, Felipe Calderón.

EFE |

O balneário de Playa del Carmen, próximo a Cancún, será hoje e amanhã palco de uma reunião do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC) à qual participam líderes e representantes de alto nível de 32 nações, todas as da região, exceto Honduras, que não foi convidada por estar suspensa da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A criação de um organismo regional, similar à OEA mas sem os EUA e o Canadá entre os membros, é um dos pontos de destaque da agenda.

Ainda assim, também será discutida a situação em Honduras após a destituição do ex-presidente Manuel Zelaya. Entre outros temas, estão a reconstrução do Haiti, o aumento da tensão entre Argentina e Reino Unido sobre prospecção petrolífera nas Ilhas Malvinas e a maneira de melhorar a posição regional na economia global.

Durante o discurso inaugural da chamada "Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe", o presidente Calderón defendeu avanços "com unidade de ação" no "sonho" dos libertadores americanos de ter um continente unido e orgulhoso de suas raízes.

O evento ocorre no ano em que vários países latino-americanos celebram o bicentenário de independência.

"Se os desejos bicentenários da América Latina e do Caribe de serem uma América unida já representavam uma verdade, é mais ainda agora no mundo global em que vivemos".

Felipe Calderón ressaltou que, quando a região esteve unida "frente a outras nações e a muitas adversidades", se saiu melhor do que em momentos de desunião, quando ficou atrasada em relação a outras nações e regiões do mundo.

"Não podemos permanecer desunidos e prever um bom futuro com base em nossas divergências", afirmou o presidente.

Para ele, o melhor nesses momentos é a união, sem se ater ao que divide os países, mas sim levando em conta as "grandes convergências", "muito maiores" do que as divergências.

Em sua opinião, a integração da América Latina e do Caribe "é o meio mais poderoso para conseguir melhores níveis de crescimento e desenvolvimento" e para garantir "a participação efetiva e unida da região na economia e nas decisões mundiais".

"Acho que nosso desafio não é um assunto de esquerda ou de direita, nem de ideologia ou doutrinas", disse Calderón, mas uma "separação entre passado e futuro", com valores comuns de democracia, justiça e liberdade.

O presidente mexicano também falou do Haiti, país devastado pelo grande terremoto de 12 de janeiro. Ele lembrou ao presidente haitiano, René Préval, que a causa haitiana "é a causa de todos os países da região". "Somos uma família e como tal estamos juntos nos bons e maus tempos", ressaltou.

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que está em final de mandato, destacou que no processo de unidade aberto "não há atalhos nem milagres". Para ele, "a integração não é uma tertúlia entre bons vizinhos, mas também não pode ser um arquipélago de siglas".

Já a presidente argentina, Cristina Kirchner, falou a portas fechadas para reivindicar a soberania de seu país sobre as Ilhas Malvinas após o recente conflito surgido com o Reino Unido sobre exploração de petróleo no arquipélago.

Entre os presentes na cerimônia de inauguração, estavam titulares do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o magnata mexicano Carlos Slim Helú.

O líder salvadorenho, Mauricio Funes, cancelou sua presença na última hora por uma intoxicação. Já a presença do líder cubano, Raúl Castro, foi confirmada. EFE asc/sa

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