A.Latina e Ásia apontam para acordo climático e cooperação contra a crise

Maribel Izcue. Tóquio, 17 jan (EFE).- O Fórum de Cooperação América Latina-Ásia do Leste (Focalal) terminou hoje em Tóquio com o compromisso de avançar rumo a um acordo sobre mudança climática, após dois dias de sessões dominadas pela crise global e pelo desenvolvimento sustentável.

EFE |

O encontro marcou o décimo aniversário da criação do Focalal, um fórum que, segundo os 34 ministros de Assuntos Exteriores e vice-ministros reunidos no Japão, passou "de sua infância a sua juventude" e permitiu que "as duas regiões mais dinâmicas do mundo se olhem mais de perto".

Os ministros lembraram hoje que a de Tóquio foi a primeira reunião multilateral que acontece após a Cúpula de Copenhague sobre Mudança Climática, em dezembro do ano passado, e asseguraram que "resta muito trabalho para ser feito".

Embora com interesses tão contraditórios como os da China - maior poluidor do mundo, junto com os EUA - e América Latina - que representa apenas 5% das emissões de CO2 -, os membros do Focalal acertaram "trabalhar de forma construtiva" com o olhar voltado para a próxima conferência COP 16 do México no final do ano.

A chanceler mexicana, Patricia Espinosa, assegurou à Agência Efe que o interesse mostrado pelos representantes dos 34 países do fórum é "encorajador", e assegurou que o México fará "o necessário" para seguir construindo um acordo.

No documento emitido no final da reunião, a chamada "Declaração de Tóquio", os ministros refletem este compromisso, embora matizam que a proteção meio do meio ambiente "deve ser compatível com o desenvolvimento econômico e social", lembrando o "direito soberano" de cada país a utilizar seus recursos.

Em entrevista coletiva ao término do fórum, o titular argentino de Exteriores, Jorge Taiana, enfatizou que os países em desenvolvimento "não são os maiores causadores da mudança climática" e pediu que se encontre um consenso.

Também o vice-ministro de Exteriores peruano, Néstor Popolizio, falou da "responsabilidade diferenciada" dos membros, antes de advertir que "se não forem criados mecanismos efetivos de cooperação, os desastres climáticos não serão manejáveis".

Perante a crise econômica, o outro grande assunto desta reunião, o anfitrião e ministro de Exteriores japonês, Katsuya Okada, assegurou que "a recuperação começou, mas a situação ainda não é positiva", apelando para se proteger as Pequenas e Médias Empresas, segundo sua opinião a parte "mais vulnerável" da recessão.

Além de tentar fomentar, à margem da sessão multilateral, alguns acordos comerciais bilaterais, os membros do Focalal insistiram na necessidade de "combater todas as formas de protecionismo e fomentar o comércio global".

Assim, a "Declaração de Tóquio" chama a uma conclusão "equilibrada" das negociações da Rodada de Doha para o livre comércio, enquanto reconhece o "importante papel" do Grupo dos Vinte (G20) para se enfrentar a crise global.

O Focalal também se compromete a promover o comércio e os investimentos entre seus membros, que juntos representam 40% da população mundial, 26% da economia e mais de 40% do comércio do planeta.

No fechamento desta quarta reunião ministerial, o Japão cedeu a testemunha à Indonésia como coordenador do fórum junto com a Argentina, país que copresidiu a reunião de Tóquio.

No Focalal, que nasceu em 1999 por iniciativa de Cingapura e Chile, participam pela parte latino-americana Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Pela parte asiática estão Brunei, Camboja, China, Indonésia, Japão, Coreia do Sul, Laos, Malásia, Mongólia, Mianmar, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã, além da Austrália. EFE mic/ma

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