O presidente peruano, Alan García, acusou nesta quarta-feira seu homólogo boliviano, Evo Morales, de ingerência nas questões internas do Peru, após os violentos protestos de indígenas na Amazônia.

García citou como prova da interferência de Morales nos protestos uma carta do presidente da Bolívia enviada à cúpula mundial dos povos indígenas, realizada na cidade peruana de Puno, no final de maio, na qual incentivava os participantes a lutar por uma "segunda independência" do continente.

"O melhor é não se meter na política dos outros. Cada um deve se ocupar do seu (...) mas alguns entendem a globalização como o direito de se meter na política dos países vizinhos, e isto é muito lamentável", disse García.

"É evidente que houve pressão (externa). Não podemos nos enganar, no nosso continente há duas orientações: a democracia com modernidade, investimento e trabalho; e o estatismo antigo, que destrói liberdades e unifica o poder em torno de uma ou duas pessoas".

Segundo o congressista peruano Luis Gonzales Posada, "uma série de elementos permite determinar a intervenção da Bolívia" nos atos de violência deflagrados na região amazônica de Bagua, onde no final de semana passado confrontos entre indígenas e policiais deixaram 34 mortos, sendo 25 agentes e 9 civis.

ljc/LR

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