Al Qaeda responsabiliza Áustria por destino de turistas seqüestrados

Abu Dhabi, 7 abr (EFE).- A Al Qaeda para o Magrebe Islâmico (AQMI) responsabilizou a Áustria pela situação e o destino dos dois austríacos seqüestrados no sul da Tunísia entre o fim de fevereiro e começo de março.

EFE |

O braço da organização terrorista liderada por Osama Bin Laden também acusou Viena de "dizer mentiras" e de ser indiferente aos reféns.

Em comunicado publicado em um site islâmico, a AQMI, no entanto, não diz o que fará com os dois turistas agora, já que, na 0h de hoje, expirou o prazo para que o Governo austríaco atendesse às exigências para a libertação de ambos.

As exigências feitas pelo grupo foram a soltura de "dois muçulmanos (um homem e uma mulher) detidos no Guantánamo da Áustria", além da retirada dos quatro militares austríacos que se encontram no Afeganistão.

"Parece que a Áustria não leva a sério salvar a vida de seus cidadãos, e, após ser informada dos novos pedidos dos mujahedines (combatentes islâmicos), (Viena) é a principal responsável pelo destino desconhecido dos seqüestrados", diz a nota.

O comunicado também acusa o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da Áustria, Peter Launsky, de "mentir" e "enganar" a opinião pública a respeito das condições impostas pela rede terrorista.

Os dois reféns austríacos, Wolfgang Ebner, um assessor fiscal de 51 anos, e Andrea Kloiber, uma enfermeira de 43, foram seqüestrados em 22 de fevereiro pelas Brigadas Tareq Ibn Ziyad, ligadas à AQMI, quando viajavam pelo deserto tunisiano.

Inicialmente, os seqüestradores exigiram a libertação de alguns presos em penitenciárias argelinas e tunisianas. Segundo alguns meios de comunicação, eles também teriam pedido o pagamento de 5 milhões de euros.

"Os mujahedines abandonaram as exigências consideradas impossíveis de serem cumpridas pela Áustria e pediram (antes do fim do último prazo) a libertação de um irmão muçulmano e de sua esposa, submetidos a torturas injustas no Guantánamo da Áustria, e que (Viena) retire seus quatro militares no Afeganistão", acrescenta a nota.

"Qualquer pessoa sensata pode compreender que estes novos pedidos são realistas e podem ser cumpridos pela Áustria, mas o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Peter Launsky, só aceita mentir em uma declaração a um jornal argelino, alegando que os mujahedines insistem em suas primeiras exigências e que as aumentaram com outras", acrescenta.

O comunicado da AQMI assegura que "os dois muçulmanos" detidos na Áustria não pertencem à nenhuma organização violenta e que a libertação deles é solicitada apenas pelo fato de serem muçulmanos.

O grupo pede ainda que os islâmicos na Áustria não se limitem a pedir a libertação dos dois reféns austríacos, mas que pressionem Viena para que atenda às exigências dos mujahedines.

A AQMI também afirma que "é flexível com a Áustria nas negociações porque o país não demonstra grande inimizade pelo Islã e pelos muçulmanos", e que, "se os seqüestrados fossem de outra nacionalidade, teriam tido outro tratamento". EFE fá/sc

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