Al-Qaeda no Iraque reivindica autoria da série de ataques em Bagdá

Em comunicado, Estado Islâmico do Iraque indica que atentados de quinta-feira com 69 mortos tiveram como alvo liderança xiita

iG São Paulo |

AP
Autoridades e curiosos observam local de ataque com carro-bomba em Bagdá, no Iraque, em 22/12
Um braço da Al-Qaeda no Iraque reivindicou nesta terça-feira a autoria da série de atentados em mercados, cafés e prédios do governo que deixou 69 mortos e 191 feridos na quinta-feira em Bagdá, levantando preocupações sobre o destino do país.

Os ataques coordenados tiveram como alvo dezenas de bairros xiitas e representaram o primeiro grande banho de sangue desde a retirada completa dos soldados americanos neste mês, depois de quase nove anos de guerra. Eles também coincidiram com uma crise de governo que mais uma vez ameaça romper os laços entre sunitas e xiitas iraquianos, com o risco de devolver o país à quase guerra civil total de alguns anos atrás.

A crise política atual tem como foco Nuri al-Maliki, o primeiro-ministro xiita, e Tareq al-Hashemi, vice-presidente sunita. Após a emissão, há uma semana, de uma ordem de detenção por supostos delitos de terrorismo , incluindo a suposta liderança de esquadrões da morte contra autoridades do governo, Hashemi se refugiou na região autônoma do Curdistão iraquiano . Ele nega as acusações afirmando que têm motivação política. A turbulência política vem abalando a coalizão de governo, que divide os principais cargos entre xiitas, curdos e sunitas.

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A reivindicação de responsabilidade não fez nenhuma menção à retirada americana. Em vez disso, deu ênfase à liderança de domínio xiita do país, que militantes sunitas vêm combatendo desde que ascendeu ao poder como resultado da invasão liderada pelos EUA que destituiu Saddam Hussein em 2003 .

"A série de invasões especiais foi lançada para apoiar os fracos sunitas nas prisões dos apóstatas, e para retaliar pelos cativos que foram executados", diz a declaração em nome do Estado Islâmico do Iraque. Criado em outubro de 2006, o Estado Islâmico do Iraque é um conglomerado de grupos terroristas diretamente vinculado à Al-Qaeda.

A nota acrescenta que "os ataques tiveram como objetivo sedes de segurança, patrulhas militares e concentrações do Exército Mehdi, além de pôr fim aos hereges dirigentes militares e de segurança e à administração governamental da Zona Verde", referindo-se a uma área fortificada que abriga as principais instituições. Já o Exército Mehdi é uma milícia xiita leal ao clérigo Moqtada al-Sadr ,que suspendeu suas atividades militares em setembro deste ano.

O Estado Islâmico do Iraque destacou que um dos alvos do ataque foi o edifício de Investigação Penal, pertencente ao complexo do organismo de Transparência, que se encarrega da luta anticorrupção.

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Segundo o texto, "o governo usou (o órgão) como um de seus instrumentos mais importantes para apoiar os xiitas, fazer a limpeza de todos os sunitas e obrigá-los a submeter-se a seus projetos malignos tomando como pretexto a luta contra a corrupção".

A organização terrorista ameaçou promover mais ataques no futuro e criticou a intromissão do Irã nos assuntos do Iraque, pelo que "os mujahedins (guerrilheiros islâmicos) não ficarão quietos vendo que o projeto maligno do Irã teve más consequências claras e óbvias para os sunitas no Iraque".

*Com EFE e AP

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