Al Qaeda mantém ataques na Argélia apesar de repressão policial

Javier García. Argel, 20 dez (EFE).- A organização Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) manteve seus ataques na Argélia em 2008, especialmente com ações suicidas e outros tipos de atentados que deixaram mais de 220 mortos, apesar do sucesso das forças de segurança no desmantelamento das redes de apoio aos terroristas.

EFE |

As grandes operações do Exército, apoiadas por helicópteros de combate, causaram a morte de dezenas de terroristas em seus esconderijos nas montanhas cobertas de florestas da Cabília, mas não conseguiram ainda localizar o chefe da AQMI, Abdelmalek Droukdal.

Segundo um balanço realizado pela Agência Efe a partir de informações de fontes de segurança, meios de comunicação e dados oficiais, 226 pessoas - a maioria civis - morreram em cerca de 50 atentados até o final de novembro.

No entanto, cerca de 250 terroristas também perderam a vida em operações realizadas pelas forças de segurança argelinas, que conseguiram desmantelar dezenas das redes que oferecem infra-estrutura aos comandos, de crucial importância para a sobrevivência desses.

As conquistas no combate antiterrorista não conseguiram evitar, no entanto, que a AQMI cometesse mais de dez atentados suicidas, aprofundando-se no caminho aberto em 2007, quando esse método - praticamente desconhecido na Argélia até então - começou a ser utilizado.

Um deles causou, em 2008, um dos maiores massacres dos últimos anos no país, quando, no final de agosto, um suicida lançou uma caminhonete com explosivos contra a Escola Superior da Gendarmaria Nacional em Les Issers, na Cabília, deixando 48 mortos e dezenas de feridos, na grande maioria civis.

Apenas 24 horas depois desse massacre, outros dois suicidas detonaram seus automóveis contra um quartel do Exército e um hotel de Bouira, também na Cabília, deixando 12 mortos e mais de 40 feridos, na maioria trabalhadores argelinos da empresa de construção canadense SNC Lavalin.

Além dos carros com explosivos, a AQMI utilizou este ano novos métodos suicidas, como motos ou cintos-bomba, com os quais conseguiu se aproximar da periferia de Argel, embora não tenha conseguido entrar no coração da capital, seu alvo mais cobiçado e transformado em um forte pela Polícia argelina.

O grupo tentou chegar à capital, no entanto, em várias ocasiões, como mostram os planos de atentados contra o aeroporto de Argel e o Palácio Presidencial, abortados pouco antes de serem implementados graças ao cerco cada vez mais estreito dos serviços de informação sobre as redes de apoio, especialmente na capital.

Este ano, houve vários atentados fracassados ou pouco elaborados, o que mostra as dificuldades cada vez maiores dos terroristas para realizar suas ações diante do trabalho de inteligência e de cerco policial sobre os grupos de apoio.

No entanto, isso não evitou que terroristas conseguissem matar, em junho, um cidadão francês, o primeiro desta nacionalidade nos últimos 12 anos, com a explosão de uma bomba na passagem do automóvel da vítima pela província de Boumerdès, na Cabília.

As forças policiais conseguiram, por outro lado, desarticular um comando que planejava até oito atentados suicidas simultâneos na província de Oued, junto à fronteira com a Tunísia.

Foi na Tunísia onde a AQMI conseguiu realizar um de seus golpes mais efetivos, seqüestrando dois turistas austríacos e os levando, após atravessar milhares de quilômetros de deserto líbio e argelino, até o norte de Mali, onde mantiveram os reféns retidos por mais de seis meses.

Os seqüestros são uma das principais fontes de financiamento do grupo terrorista, que, em março, chegou a reconhecer em um site de caráter islâmico que está passando por uma "grave crise financeira" e admitir que seus efetivos e recursos "diminuíram consideravelmente".

O Ministério do Interior argelino avaliou entre 300 e 400 o número de membros da AQMI em atividade, mas outras fontes falam de 1,6 mil em todo o país, 600 deles na Cabília.

Os comandos têm armas de grande calibre e se comunicam com telefones por satélite. Seus membros são, no entanto, cada vez mais jovens e menos preparados, mas se mostram igualmente dispostos a morrer matando. EFE jg/an

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