Por Inal Ersan DUBAI (Reuters) - A Al Qaeda, se pudesse, usaria as armas nucleares do Paquistão em sua luta contra os Estados Unidos, disse um líder de primeiro escalão do grupo militante em comentários divulgados no domingo.

O Paquistão tem combatido o Taliban, aliado da Al Qaeda, no Vale do Swat, após temores de que o país, que tem armas nucleares, possa cair lentamente nas mãos de militantes.

"Deus permita que as armas nucleares não caiam em mãos americanas e os mujahideen (combatentes da guerra santa) as tomariam e usariam contra os americanos", disse Mustafa Abu al-Yazid, líder da Al Qaeda no Afeganistão, em entrevista à emissora de TV Al Jazeera.

Abu al-Yazid respondia a um pergunta sobre as salvaguardas dos Estados Unidos para assumir o controle das armas paquistanesas caso grupos militantes se aproximassem disso.

"Esperamos que o Exército paquistanês seja derrotado... Deus permita."

Questionado sobre seus planos, o líder de nacionalidade egípcia respondeu: "A estratégia da organização no próximo período é a mesma do período anterior: atingir a cabeça da cobra, a cabeça da tirania -- os Estados Unidos."

"Isso pode ser obtido por meio do trabalho contínuo nas frentes já abertas e também pela abertura de novas frentes, de forma que atenda aos interesses do Islã e dos muçulmanos e pela intensificação de atividade militar que drene o inimigo financeiramente."

O líder militante sugeriu que a nomeação de um novo líder na Península Arábica, Abu Basir al-Wahavshi, pode ressuscitar a campanha da Al Qaeda na Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo.

"Nosso objetivo tem sido os americanos. e os alvos petrolíferos que eles estão roubando para ganhar poder e atacar os mujahideen e os muçulmanos."

"Houve um recuo nos trabalhos lá por razões que não cabe discutir agora, mas os esforços foram reunidos e há unidade em torno de um único líder."

Abu al-Yazid, também conhecido como Abu Saeed al-Masri, disse que a Al Qaeda continuará com "operações de larga escala contra o inimigo" - os Estados Unidos.

"Vínhamos exigindo e continuamos exigindo que todas as ramificações da Al Qaeda promovam essas operações", disse ele numa referência aos ataques a forças lideradas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão.

O líder militante disse que a Al Qaeda está disposta a aceitar uma trégua de 10 anos com os Estados Unidos se Washington concordar em retirar suas tropas de países muçulmanos e parar de apoiar Israel e os governos pró-Ocidente em países muçulmanos.

Indagado sobre o paradeiro dos principais líderes do grupo, ele respondeu: "Graças a Deus o xeque Osama (bin Laden) e o xeque Ayman al-Zawahri estão seguros e fora do alcance dos inimigos, mas não diremos onde eles estão. Mais que isso, não sabemos onde eles estão, mas estamos em contato constante com eles."

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