Akira Kurosawa, um século do mestre do cinema japonês

Maribel Izcue. Tóquio, 23 mar (EFE).- No dia em que se completam 100 anos do nascimento do diretor Akira Kurosawa, o imperador do cinema japonês, o legado desse cineasta perfeccionista, complexo e de gênio forte segue vivo em muitas das produções do cinema atual.

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"O ocidental e o japonês convivem lado a lado em minha mente, sem o menor sentimento de conflito", assegurava o mestre do cinema japonês, cujo centenário se completa hoje, sem que se tenham anunciado grandes eventos em Tóquio, sua cidade natal.

O certo é que durante muitos anos a obra de Kurosawa teve mais admiradores no mundo ocidental que no Japão, mas onde agora, um século após seu nascimento, é lembrado orgulhosamente como um dos mais sublimes diretores, mas sem grandes comemorações.

As comemorações sobre o centenário foram ofuscadas pelo escândalo que atingiu a Fundação Akira Kurosawa, criada após a morte do cineasta, em 1998, e dirigida pelo filho, Hisao Kurosawa.

No final de fevereiro, um jornal local informou que as autoridades investigam o paradeiro de 380 milhões de ienes (cerca de 3 milhões de euros) do patrimônio da Fundação - que poderia estar em risco de quebra - e a participação de Hisao, de 65 anos, em um suposto crime de desvio.

Uma porta-voz da Fundação, que não confirmou essas informações, indicou hoje à Agência Efe que os dados sobre as comemorações do centenário estão em mãos dos estúdios Toho, a produtora de Kurosawa, que por enquanto só anunciou uma retrospectiva sobre o diretor que começará no próximo sábado na capital japonesa.

Foi nos estúdios Toho onde o jovem Kurosawa deu, em 1936, seus primeiros passos no cinema como assistente de direção e pupilo do cineasta Kajiro Yamamoto.

Em 1943, Kurosawa escreveu e dirigiu seu primeiro filme, "Sugata Sanshiro" ("A Saga do Judô"), cujo sucesso o obrigou a filmar, dois anos depois, uma segunda parte do filme, com a qual passou à primeira linha do cinema japonês.

Mas seu sucesso internacional chegaria com o filme "Rashomon" (1950), protagonizado pelo ator Toshiro Mifune. A produção seria indicada ao Oscar e venceria o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

Sua vasta filmografia nos anos sucessivos imortalizou seu nome entre os grandes diretores da história do cinema e lhe valeu uma legião de admiradores, inclusive em Hollywood, onde é reverenciado por diretores como George Lucas, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e Quentin Tarantino.

"A influência de Kurosawa é percebida em boa parte do cinema contemporâneo. Ele foi, por exemplo, o pioneiro nesses deslocamentos de câmara que são agora básicos em Hollywood e no cinema oriental.

Onde estariam Ang Lee, John Woo ou Zhang Yimou sem o legado de Kurosawa?", questiona-se o crítico Peter Cowie, especialista em cinema japonês.

Por causa do centenário do diretor, Cowie publicou o livro "Akira Kurosawa: Master of Cinema", que mergulha na biografia do lendário cineasta, na influência de suas produções e na busca pela perfeição que beirava à obsessão.

Também por ocasião dos 100 anos de Kurosawa, foram publicadas novas coleções em DVD de seus filmes e foi divulgada uma restauração digital de "Rashomon", enquanto festivais de vários lugares do mundo dedicam neste ano ciclos especiais com homenagem ao japonês.

No Japão, apesar da modéstia das comemorações, a Universidade de Ryukoku, na cidade de Kioto, lembrou que 100 anos depois do nascimento do gênio seus arquivos mais pessoais estão ao alcance de qualquer um na internet.

Após um vasto trabalho de digitalização, a universidade concluiu no ano passado o maior arquivo aberto de Kurosawa no site "www.afc.ryukoku.ac.jp/Komon/kurosawa/index.html", onde há cerca de 20 mil páginas com anotações, desenhos, scripts e fotos do mestre do cinema japonês. EFE mic/sa

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