Ajuda humanitária chega com dificuldade ao Haiti

A ajuda humanitária internacional começa a chegar ao Haiti com dificuldade e ainda enfrenta outros obstáculos na chegada ao país. Segundo o correspondente da BBC em Porto Príncipe Mathew Price, além dos problemas com o aeroporto, que teve a torre de controle destruída pelo tremor, os esforços ainda não estão coordenados.

BBC Brasil |

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  • "A população precisa de comida, água e remédio, além de escavadeiras e outros equipamentos para levantar cargas pesadas. Mas talvez mais do que qualquer coisa, o país precisa de alguém para assumir o controle", disse.

    O correspondente relata ainda que "muitas vozes que antes eram ouvidas dos sobreviventes nos escombros, estão se calando".

    Segundo ele, há pouco sinal de que a ajuda humanitária estaria sendo levada adiante do aeroporto na capital haitiana.

    Aeroporto

    Nesta quinta-feira, os Estados Unidos assumiram o controle do aeroporto Toussaint L'Ouverture, de Porto Príncipe, para ajudar no descarregamento da ajuda que chega por aviões e helicópteros.

    "Assumimos a responsabilidade do controle aéreo. Temos pessoal preparado para ajudar nos descarregamentos", declarou o porta-voz do Departamento de Estado Philip Crowley.

    O grande volume de desembarque causou a saturação do aeroporto e do espaço aéreo nesta quinta-feira, provocando a suspensão do pouso de aeronaves por diversas horas durante o dia.

    "A boa notícia é que agora o aeroporto de Porto Príncipe está funcionando em tempo integral. No entanto, é pequeno e muito limitado, com apenas uma pista e pouco espaço", disse.

    A chegada de ajuda por navios ainda é impossível, já que o porto da cidade foi destruído pelo terremoto.

    Resgate

    Outro correspondente da BBC, Nick Davies, disse que há falta de cuidado médico adequado e algumas pessoas estariam morrendo de problemas que poderiam ser tratados, como ossos fraturados.

    O diretor do principal hospital de Porto Príncipe, Guy La Roche, afirmou que, além da falta de leitos e remédios, a maioria dos médicos estão desaparecidos e outros cuidam de suas famílias, afetadas pelo terremoto.

    "Tudo está errado agora. Nós não temos nada, nada. Antes nós tínhamos 150 médicos no hospital, mas agora não temos 20. Não temos nem 20 médicos agora", disse ele.

    Nesta quinta-feira, o presidente francês Nicolas Sarkozy, anunciou que irá propor a realização de uma conferência internacional para a reconstrução e o desenvolvimento do Haiti.

    "Vou propor ao presidente Obama, com quem conversarei nas próximas horas, que os Estados Unidos, o Brasil, o Canadá e outros países tomem a iniciativa de convocar uma grande conferência internacional para a reconstrução e o desenvolvimento do Haiti", declarou.

    Sarkozy afirmou que irá conversar também com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro do Canadá, Stephan Harper.

    Na quarta-feira, Lula já havia proposto a Obama uma reunião dos países empenhados em ajudar o Haiti. O presidente propôs ainda que o Brasil poderia coordenar os esforços que chegam ao país.

    O vice-diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento da ONU (PNUD), Jordan Ryan, está em contato direto com os agentes humanitários em Porto Príncipe e disse, nesta quinta-feira, que entende a frustração sobre o ritmo dos esforços humanitários.

    "A prioridade agora é fazer o maior número de buscas e resgates possíveis nessas horas, e ao mesmo tempo começar a operação de recuperação que será capaz de ajudar com comida, água e saneamento. O fluxo de ajuda já começou, mas nunca é suficiente", disse.

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