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Ajuda estrangeira pode ameaçar economia do Haiti, diz presidente

O presidente do Haiti, René Préval, afirmou, nesta terça-feira, que a ajuda estrangeira, especialmente de alimentos, recebida pelo país após o terremoto de 12 de janeiro pode ameaçar a economia haitiana. Segundo ele, o envio de alimentos ao país compete e desencoraja a economia indígena local.

BBC Brasil |

Préval, que está em Washington, afirmou ainda que pretende dizer ao presidente Barack Obama, com quem se reúne na quarta-feira, que agradece a ajuda enviada pelos Estados Unidos, mas que a ênfase da ajuda humanitária deve ser a criação de empregos e o incentivo ao comércio local.

"Direi a ele (Obama) que esta primeira fase da assistência está encerrada", disse Préval, ainda em Porto Príncipe. "Se continuarem a nos mandar ajuda do exterior - água e comida - ela irá competir com a produção nacional haitiana e com o comércio haitiano."
Mais de 1,2 milhão de pessoas estão desabrigadas no Haiti e cerca de 230 mil morreram no terremoto.

Questão 'crucial'
O presidente defende que a prioridade deve ser a criação de empregos. Segundo ele, a visão do governo é "reconstruir o Haiti, reiventar Porto Príncipe". "Se não tirarmos vantagem deste evento histórico para reinventar o Haiti, vamos cometer um erro de proporções históricas", disse.

Segundo o correspondente da BBC em Porto Príncipe Mark Doyle, Préval levantou uma questão crucial ao falar da suposta dependência do país à ajuda internacional.

Doyle cita os países asiáticos que se desenvolveram de maneira rápida nos últimos anos, como China e Índia, que cresceram sem a ajuda estrangeira. Segundo ele, esse não é o caso de países como o Haiti e outras nações africanas, que sempre dependeram de ajuda e continuam na base do processo de desenvolvimento.

"A próxima questão que os haitianos irão perguntar é se Préval tem a vontade política de seguir nesse caminho e reduzir a dependência de ajuda, incentivando a autosuficiência", afirmou o correspondente.

Eleições
Ainda nesta terça-feira em Washington, Préval se encontrou com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para discutir as próximas eleições no Haiti.

Hillary pediu a realização de eleições em breve no Haiti e afirmou que os EUA estão ouvindo com atenção às recomendações das autoridades haitianas sobre quais devem ser os próximos passos na reconstrução do país.

"O presidente Préval destacou um ponto muito importante de que precisamos trabalhar pelas eleições para garantir estabilidade e legitimidade ao governo haitiano".

Antes do terremoto, duas eleições estavam previstas para este ano no Haiti.

As eleições legislativas estavam agendadas para fevereiro e foram adiadas, ainda sem data definida. O pleito presidencial deveria acontecer no final de 2010, já que o mandato de Préval acaba em fevereiro de 2011.

O presidente também defende a realização de eleições para escolher seu sucessor ainda neste ano.

"Ter um governo provisório por um ano seria uma catástrofe. Esse governo não teria legitimidade", afirmou o presidente.

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