Ajuda começa a chegar, mas situação de sobreviventes segue igual no Haiti

Javier Otazu. Porto Príncipe, 14 jan (EFE).- Carregamentos com ajuda humanitária, médicos, especialistas em resgate e jornalistas começaram a chegar ao Haiti a partir de todo o mundo, mas o caos e a falta de organização seguem dominando hoje Porto Príncipe, o que dificulta a entrega da generosidade internacional aos desabrigados.

EFE |

Milhares de pessoas, muitas delas feridas, abarrotam as ruas da capital haitiana, após terem dormido pela segunda noite consecutiva em lugares públicos, como jardins e praças, a salvo dos possíveis desmoronamentos dos escombros nos quais se transformaram inúmeros prédios depois do terremoto de terça-feira.

Segundo disseram à Agência Efe fontes do Escritório de Assuntos Humanitários da Comissão Europeia (ECOH, na sigla em inglês), cálculos preliminares apontam que 10% dos imóveis de Porto Príncipe foram destruídos, embora admitam que o dado possa ser muito maior.

Um responsável da Cruz Vermelha local, Víctor Jackson, se aventurou também a estimar os mortos, entre 45 mil e 50 mil, ainda sabendo que "ninguém sabe com precisão nem tem condição de confirmar números", informou à emissora "Rádio Metropole".

Jackson apontou que os terremotos registrados na terça-feira, o mais forte de 7 graus na escala Richter e com epicentro a 15 quilômetros da capital, atingiram 3 milhões de pessoas, incluindo feridos e pessoas que perderam suas casas.

Os corpos de muitos desses mortos estão abandonados, os que têm mais sorte estão cobertos por lençóis brancos, nas ruas de Porto Príncipe e, conforme a mesma emissora, "alguns estão começando a inchar pelo calor".

Empilhados uns sobre os outros, os corpos chegam a alcançar uma altura de um metro no necrotério do Hospital Geral de Porto Príncipe, bem à vista dos doentes que recebem os primeiros socorros ao ar livre, como pode constatar a Efe.

Cobertos com mascaras, lenços ou simplesmente tapando o nariz para evitar o forte cheiro dos mortos e do lixo acumulado pelas ruas, os haitianos perambulam pelas ruas e improvisam camas e cozinhas: "qualquer coisa para não voltar para as nossas casas, ainda temos muito medo", comenta Jean, de 35 anos.

"Vivíamos no quinto andar de um prédio com 60 moradores; só tenho a lembrança que o mundo inteiro começou a tremer, caí no chão e quando acordei estava em plena rua, rodeada de entulhos, mas só tinha um ferimento no braço", disse à agência Efe Rachel, uma americana de 25 anos com o braço preso a uma tipoia.

No aeroporto, se amontoam exilados de todos os países, que tentam fugir antes que chegue o pior, como a escassez de água e alimentos e os saques, de acordo com Susan Herrera, uma costarriquenho que foge com seu marido e seus dois filhos.

Para o mesmo aeroporto, onde a aterrissagem é visual porque a torre de controle não está operando, chega ajuda humanitária procedente dos quatro cantos do mundo.

Como informou hoje a "CNN", o Governo do Haiti está negando o pouso para mais aviões, porque não há pistas disponíveis nem combustível suficiente para reabastecer.

"Não começou nem sequer uma unidade de gestão da crise", destacou à "Rádio Metropole", para ilustrar o caos em que está a cidade.

Um dado positivo é a presença de 3 mil policiais e capacetes azuis da ONU começaram a circular pelas principais avenidas da cidade, a coordenar a circulação e a assegurar a segurança no aeroporto, no porto e nos prédios públicos que resistiram.

Aos envios internacionais que chegam a partir da Espanha, Colômbia, China, EUA, França, Brasil e México, entre outros países, se somam a ajuda por terra vinda da República Dominicana, o outro país situado na ilha Hispaniola, informou hoje o embaixador dominicano, Rubén Silié.

A cidade dominicana na fronteira com o Haiti de Jimaní se transformou desde a quarta-feira em um centro de abastecimento, a partir de onde estão sendo coordenadas as ações de ajuda para as vítimas do terremoto.

Vários países e organismos internacionais anunciaram hoje a concessão de ajuda econômica para a reconstrução, entre estes os Estados Unidos, com US$ 100 milhões, uma quantia similar a que será enviada pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Além desta ajuda, desde Genebra e a União Internacional de Telecomunicações (UIT) anunciou que 40 terminais de satélite e 60 de banda larga foram enviados para o Haiti para restabelecer as comunicações básicas, o que será essencial para contribuir para os trabalhos de resgate e de ajuda de emergência.

Ontem, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor. EFE fjo/dm

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