A ajuda humanitária às vítimas do terremoto no Haiti começou a chegar à população da capital, Porto Príncipe, neste domingo. No entanto, grande parte dos flagelados haitianos continua à espera de mantimentos básicos e medicamentos.

A organização não-governamental Oxfam afirmou ter conseguido distribuir água para refugiados de um campo improvisado.

No entanto, o repórter da BBC na capital haitiana Nick Davis afirma que - embora pela primeira vez esteja sendo possível perceber um movimento - os beneficiados pela ajuda humanitária ainda são poucos, em comparação com o grande número de necessitados.

Nas próximas horas, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, deve desembarcar no Haiti para supervisionar pessoalmente os trabalhos de socorro e resgate no país destruído.

Poucos episódios violentos

De acordo com Davis, mesmo sem possibilidades de satisfazer as necessidades mais básicas, a população parece continuar paciente. Os episódios de violência são esparsos.

O terremoto haitiano é um dos episódios que causaram maior número de mortes entre funcionários da ONU. Um ataque às instalações da entidade na Argélia, em 2007, matou 41 pessoas, 18 delas trabalhadores da Nações Unidas.

Em 2003, um ataque suicida à ONU na capital iraquiana matou 22 pessoas, incluindo o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Neste sábado, uma porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou em Genebra que o terremoto no Haiti é o pior desastre que a ONU já enfrentou em sua história.

"Esse é um desastre histórico. Nós nunca fomos confrontados com esse tipo de desastre na história da ONU. É como nenhum outro", disse Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da Organização.

'País decapitado'

De acordo com ela, a dificuldade se deve aos problemas de logística, por conta do colapso do governo local e da completa destruição da infraestrutura - o aeroporto está saturado, as ruas bloqueadas, os hospitais têm poucos ou nenhum médico e poucas construções suportaram os tremores.

Byrs comparou o desastre ao tsunami que atingiu a Indonésia em 2004 e afirmou que a situação em Porto Príncipe é "tão ruim ou pior".

"O desastre é enorme e tão enorme quanto foi o tsunami, talvez pior porque todo o país foi decapitado, os prédios do governo desmoronaram e nós não temos o apoio da infraestrutura local. Na Indonésia nós tínhamos pelo menos o apoio de algumas autoridades locais", disse.

Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lançou um apelo à comunidade internacional para arrecadar US$ 550 milhões para ajudar ao Haiti.

A porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU no Haiti, Myrta Kaulard, disse que a agência espera atender cerca de 40 mil pessoas.

Apesar disso, Kaulard disse reconhecer que cerca de 1 milhão precisam de ajuda em Porto Príncipe.

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