Por Stephanie Nebehay e Conor Sweeney GENEBRA/MOSCOU (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Cruz Vermelha enviaram centenas de toneladas de suprimentos para a Geórgia, mas ainda esperam por melhores condições de segurança antes de ingressar na Ossétia do Sul, afirmaram as duas entidades na sexta-feira.

Apesar de autoridades ossetianas do sul, russas e georgianas terem dado ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) luz verde para entrar naquela região separatista, o organismo ainda aguarda por mais garantias.

'Estamos prontos para partir a qualquer momento, tanto da Ossétia do Norte quanto da capital da Geórgia, Tbilisi', afirmou Anna Nelson, porta-voz do ICRC, em uma entrevista coletiva.

'Entraremos em ação assim que garantias nos sejam dadas em termos de segurança e assim que tenhamos certeza de que não há mais perigo.'

A agência humanitária, que é neutra, já enviou 100 toneladas de material de ajuda para a Geórgia e outras 45 toneladas devem chegar na sexta-feira.

'Estamos agindo com força máxima, distribuindo suprimentos e garantindo acesso à água em abrigos localizados dentro e nas cercanias de Tbilisi', acrescentou a porta-voz.

Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar preocupado com a situação humanitária e a ausência de controle em algumas áreas da Geórgia, em especial na Ossétia do Sul e na região de Gori, que continua isolada em meio a relatos sobre saques realizados por milícias ilegais.

'Para nós, a questão se resume a questão do acesso -- livre e total -- à Ossétia do Sul, à área de Gori e também aos portos', afirmou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), da ONU.

Soldados russos invadiram a Geórgia, na semana passada, depois de o governo georgiano tentar retomar o controle sobre a região separatista da Ossétia do Sul, pró-Rússia.

PERIGO PARA GRUPOS DE AJUDA

Chamando atenção para o perigo a que estão expostos os grupos de ajuda, homens vestidos com uniformes militares sem identificação obrigaram, na região de Gori, na quinta-feira, dois funcionários da ONU a entregarem seus veículos.

Antonio Guterres, alto comissário da ONU para refugiados, viajará até a Geórgia e a Rússia na próxima semana para avaliar pessoalmente as operações de ajuda realizadas nos dois países, disse o porta-voz dele, Ron Redmond.

Mais de 118 mil pessoas foram expulsas de suas casas pelo conflito, entre as quais 30 mil que cruzaram a fronteira ingressando na Rússia, afirmou Redmond.

O Alto Comissariado das Nações Unidos para Refugiados (Acnur) enviou mais de 100 toneladas de material de ajuda para a Geórgia, nesta semana.

Autoridades da Comissão Européia (Poder Executivo da União Européia, UE) presentes em Moscou aguardavam que a Rússia permitisse a entrada de seu especialista em questões humanitárias na Ossétia do Sul.

'Nós perguntamos quando isso seria possível e fomos informados de que poderemos entrar ali quando houver mais segurança', disse Taneli Lahti, autoridade da Comissão.

Um membro da unidade de ajuda humanitária do órgão elogiou as condições dos campos de refugiado montados na região russa da Ossétia do Norte, perto da zona de conflito.

'A resposta do Ministério de Emergências da Rússia e da Cruz Vermelha local mostra-se bastante eficiente em termos de atendimento médico e distribuição de alimentos', afirmou Samuel Marie-Fanon, depois de ter visitado aquelas áreas nesta semana.

Marie-Fanon calcula que há cerca de 4.000 pessoas nos campos de refugiados e disse ter ouvido que outras 12 mil estavam hospedadas na casa de moradores da Ossétia do Norte.

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