Ajuda aos pobres favorece campanha de Correa à reeleição

Por Alonso Soto e Maria Eugenia Tello QUITO (Reuters) - Um surrado sedã repleto de copinhos plásticos pode não parecer muita coisa, mas é um negócio que mudou a vida do vendedor equatoriano Alonso Espinoza, e ele é grato ao presidente Rafael Correa por isso.

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Investindo bilhões de dólares para ajudar os pobres do país, Correa construiu uma enorme base de apoio, o que deve lhe ajudar a obter um segundo mandato no domingo e a consolidar suas políticas socialistas.

"Os equatorianos gostam dele porque é fiel à sua palavra", disse Espinoza, que emprestou 6.000 dólares do governo para começar o negócio de venda de produtos plásticos pelas ruas de Quito. "O capitalismo desenfreado nos deixou à míngua, mas agora Correa está pensando em nós."

Empréstimos como esse ajudam milhares de equatorianos a montar pequenos negócios ou a comprar casas. O estilo frugal desse ex-seminarista também é bem visto pelos eleitores, cansados de governos fracos, e nem mesmo a crise econômica afeta sua popularidade.

Críticos acusam Correa de estar acumulando poderes e gastando mais do que pode, desperdiçando reservas acumuladas durante anos de preços elevados do petróleo.

Mas Correa, que está há dois anos no poder, pelo menos já superou seus três antecessores imediatos, que foram depostos por protestos ou por impeachment. A reeleição dará a Correa mais quatro anos no cargo.

Depois de declarar moratória em uma parcela da dívida externa de 3,2 bilhões de dólares, e de Correa chamar os credores de "monstros", o governo ofereceu na segunda-feira a recompra da dívida suspensa por um preço inicial de 30 por cento do valor de face.

"Ele não fica brincando por aí como os outros antes dele. Ele está endireitando o rumo do nosso país", disse a dona de casa Carmen Hernández, que vive com os dois filhos num conjunto habitacional parcialmente financiado pelo governo.

A popularidade de Correa lhe deu condições de promover a adoção de uma nova Constituição e de controlar o Congresso. O líder oposicionista Álvaro Noboa diz que Correa tem controle excessivo das instituições, inclusive dos tribunais, e que com ele "em breve a democracia vai acabar".

As pesquisas colocam Noboa, magnata da banana, em terceiro lugar, atrás do ex-presidente Lucio Gutierrez, que foi deposto por protestos em 2005.

Uma pesquisa divulgada pelo respeitado instituto Santiago Perez na segunda-feira deu a Correa 50 por cento das intenções de voto, o que lhe garantiria a vitória no primeiro turno. Gutierrez recebeu 16 por cento e Noboa, 12 por cento.

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