PARIS - A Airbus anunciou nesta quinta-feira que está pedindo a companhias aéreas que troquem pelo menos dois dos três sensores de velocidade de cerca de 200 jatos de longa distância por equipamentos fabricados pela norte-americana Goodrich após o acidente com aeronave da Air France.


A medida afeta os modelos A330 e A340 equipados com sensores fabricados pela francesa Thales, como o A330 da Air France que caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio, durante rota Rio de Janeiro-Paris.

A Airbus divulgou um boletim às companhias aéreas nesta quinta-feira pedindo para que façam a troca de ao menos dois dos três sensores, conhecidos como tubos de Pitot, de cada aeronave.

"Enviamos um AIT (Telex de Informação de Acidente, na sigla em inglês) há alguns minutos, recomendando que os operadores de A330 e A340 coloquem pelo menos duas sondas fabricadas pela Goodrich", disse o porta-voz, Stefan Schaffrath. Não foi anunciado um prazo para a troca.

A confirmação da troca foi feita após a Reuters ter informado que as autoridades de segurança europeias estavam pensando em recomendar as mudanças depois do acidente com a Air France.

Essa é a reação mais dura das autoridades até agora ao acidente do Airbus A330, que caiu no Atlântico em pleno voo, matando todos os seus 228 ocupantes.

A investigação ainda não foi concluída, mas há suspeita de que tenha havido uma leitura errada dos equipamentos de verificação de velocidade, que ficam na lateral da aeronave.

"A agência está preparando uma solicitação compulsória. O uso do tipo mais antigo das sondas Thales 'AA' seria proibido segundo essa proposta", acrescentou ele, referindo-se ao modelo instalado no avião acidentado. "Isso significa que só um máximo de uma sonda Thales do tipo 'BA' poderia permanecer na aeronave", acrescentou ele.

Não há um cronograma previsto para as mudanças. Holtgen disse que a mistura dos dois tipos de sondas serviria para tornar o processo mais administrável.

A medida, segundo o porta-voz, deveu-se a uma "grande quantidade de informação que a agência recebeu nas últimas duas semanas a respeito do desempenho de três diferentes tipos de tubos de pitot atualmente em operação nas aeronaves Airbus de longa distância."

Ele disse que as medidas já foram discutidas com a Airbus, e que a Aesa (Agência de Segurança de Aviação Européia) continua analisando vários sensores de velocidade.

A Air France afirma que já está modernizando os sensores da marca Thales em todos os seus aviões Airbus de longa distância. A Thales não quis se manifestar, mas o executivo-chefe da empresa, Luc Vigneron, declarou nesta semana que a companhia está analisando a investigação do acidente.

A Airbus, que ainda não se manifestou sobre a medida, deve ajudar a financiar a busca pelas caixas-pretas do avião no Atlântico, informou na quinta-feira o departamento francês de investigações aeronáuticas. Poucos destroços e menos de um quarto dos 228 corpos foram recuperados até agora.


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