Airbus: Franceses querem mudanças na caixa-preta

O escritório francês de investigação de acidentes aeronáuticos (BEA) recomendou ontem mudanças urgentes na concepção das caixas-pretas dos aviões utilizados em voos comerciais. As propostas têm um único objetivo: permitir que os investigadores tenham acesso aos parâmetros básicos do avião mesmo quando os gravadores de voz e de dados não puderem ser acessados - seja porque se perderam ou porque estejam danificados.

Agência Estado |

À agência europeia Easa ( na sigla em inglês), os peritos franceses sugerem que seja ampliado de 30 para 90 dias o período de transmissão do sinal eletrônico emitido pelas caixas-pretas instaladas em aviões comerciais que cruzem oceanos. Também pedem estudos para tornar mandatória a transmissão via satélite de dados básicos sobre o funcionamento do avião, como velocidade, altitude e posição. Embora o voo 447 tenha emitido mensagens automáticas para a sede da Air France, as informações se mostraram insuficientes para, sozinhas, elucidarem o acidente.

O BEA pediu ainda uma melhor caracterização da composição das massas de nuvens em altitudes elevadas e sua relação com a certificação dos sensores de velocidade das aeronaves. As medidas, no entanto, não foram totalmente aceitas, nem por pilotos nem por famílias. Para associações de pilotos, são tímidas (veja ao lado). "Estas recomendações podem levar até 90 dias para ter qualquer efeito. É muito tempo", afirmou Robert Soulas, secretário da Associação de Solidariedade AF447. O BEA lembrou que o fabricante Airbus recomendou a substituição dos sensores de velocidade (tubos de Pitot) nos modelos A330 e A340, e que várias empresas, incluindo a Air France, haviam seguido o conselho.

NAVEGAÇÃO POR SATÉLITE

Em dois anos, o governo brasileiro espera monitorar totalmente o trânsito sobre o Atlântico de aviões comerciais, no trajeto América do Sul-Europa - a mesma região em que aconteceu o desastre do voo 447 da Air France. A revelação foi feita em setembro, em Paris, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Um novo sistema de radares, com transmissão de dados via satélite, completaria o monitoramento do espaço aéreo que hoje - como nos anos 40 - ainda é feito basicamente por rádio. Em lugar do vazio, o corredor de aviação civil entre Natal e Salvador, no Brasil, e a Europa será feito por meio do sistema CNS/ATN (Comunicação, Navegação e Vigilância/Gestão do Tráfego Aéreo), já adotado em rotas entre os Estados Unidos e a Europa. Além de permitir o monitoramento online do voo, o novo sistema deve eliminar problemas recorrentes na aviação, como a dificuldade de compreensão da língua inglesa falada por tripulações e controladores de voo ao redor do mundo.

A dificuldade ganhou destaque durante as investigações sobre a colisão entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, que deixou 154 mortos em setembro de 2006. Os pilotos americanos argumentavam que não saíram do nível de voo, pois haviam entendido que deveriam seguir na mesma altitude até Manaus. O controlador brasileiro afirma que passou as instruções como determinam as normas brasileiras. Essa incompreensão acabou contribuindo para o choque.

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