O acidente aéreo com o voo 447 da Air France não deverá afetar as vendas da Airbus, fabricante do avião A330, disseram à BBC Brasil o presidente da Airbus, Thomas Enders, e especialistas do setor da aviação. As companhias aéreas avaliam que o A330 é um sucesso e um avião seguro e várias declarações já foram feitas nesse sentido, afirmou Enders após uma coletiva nesta terça-feira no Salão da Aviação do Bourget, o maior evento mundial do setor.

Mais de 600 aviões A330-200, o mesmo modelo do voo 447, são utilizados no mundo desde o início de suas operações, em 1998, e mais de 950 encomendas já foram realizadas. Para exemplificar o quanto esse avião seria seguro, a direção da Airbus declarou que "um A330 decola por minuto no mundo diariamente".

Yves Marçais, corretor da Global Equities, especialista do mercado de aviação, diz que a escolha das companhias aéreas se limita basicamente a dois grandes fabricantes, a europeia Airbus e a americana Boeing, cujos aviões também já tiveram acidentes no passado.

"As companhias aéreas não têm muita escolha de fabricantes. Por mais infeliz que o acidente da Air France seja, ele não deve ter impacto sobre as vendas da Airbus", disse Marçais.

Ele afirma que as companhias aéreas, no momento de comprar novos aviões, também levam em conta os modelos que já possuem em sua frota para racionalizar os custos de manutenção.

"Se a companhia já dispõe de vários aviões Airbus, a tendência é que ela compre outros modelos do mesmo fabricante. Isso permite adquirir peças de reposição em maior volume, o que reduz os preços, e também diminuir seus custos de manutenção", afirma Marçais.

"Se a companhia aérea diversificar os fornecedores das peças dos aviões, isso terá impacto sobre os preços", diz o corretor financeiro.

Sem 'especulações'
Nesta terça, a Airbus reiterou que não quer "especular" sobre as causas do acidente com o voo entre o Rio de Janeiro e Paris.

"Nós não especulamos. Estamos dando apoio ao órgão que investiga as causas do acidente e esperamos que as caixas pretas sejam encontradas", disse Enders.

O acidente com o voo 447 e a crise que afeta atualmente o setor do transporte aéreo ofuscaram a celebração do centenário do Salão da Aviação do Bourget, realizado nos arredores de Paris, inaugurado neste ano em clima de pessimismo e preocupações.

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) prevê uma redução do tráfego aéreo de 8% neste ano em razão da crise econômica.

A perspectiva de uma epidemia de gripe suína, contribui para aumentar as preocupações do setor.

Os prejuízos das companhias aéreas, segundo a IATA, devem atingir US$ 9 bilhões neste ano. Com 180 milhões de passageiros a menos, as companhias estão bem mais reticentes na hora de comprar aviões.

"A prioridade não é realizar novas encomendas, mas sim transformar os pedidos existentes em entregas", diz Enders. Ou seja, evitar cancelamentos.

Devido às encomendas realizadas nos últimos anos, a Airbus anunciou que prevê entregar 480 aviões em 2009, praticamente o mesmo número do ano passado (483), que havia sido um ano recorde.

A Airbus já prevê que o número de encomendas neste ano seja "bem mais reduzido". No início do ano, a previsão de venda era de 300 aviões em 2009.

"Temos 3,5 mil aviões para serem entregues, o que corresponde a cerca de sete anos de produção", disse Fabrice Brégier, o número dois da direção da Airbus.

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