Ainda sem se recuperar de terremoto, Chile encara nova crise após blecaute

Santiago do Chile, 15 mar (EFE).- Um blecaute deixou boa parte do Chile sem eletricidade neste domingo no momento em que o país começa a se recuperar do terremoto do dia 27 de fevereiro, no que representa a primeira crise encarada por Sebastián Piñera depois que chegou à Presidência chilena.

EFE |

O blecaute esteve longe de provocar transtornos como os decorrentes do terremoto, mas expôs certa lentidão na reação das autoridades e algumas contradições no momento de fazer avaliações do que aconteceu.

Os cidadãos chilenos, no entanto, reagiram com tranquilidade ao imprevisto blecaute. A Polícia só reportou dois incêndios causados por velas acesas e alguns pequenos roubos durante as horas de escuridão.

Já na manhã desta segunda-feira, 98% do fornecimento estava normalizado.

O blecaute deixou 90% dos chilenos às escuras a partir das 20h40 locais (mesmo horário em Brasília) deste domingo. O incidente, causado por uma avaria em um transformador na subestação de Charrua, na região de Bio-Bío (sul), foi a primeira crise para o Governo do conservador Piñera, que assumiu o poder no último dia 11.

As primeiras críticas surgiram quando o Escritório Nacional de Emergências (Onemi, na sigla em espanhol) demorou duas horas para informar sobre a causa do blecaute, que tem relação com o terremoto do dia 27 de fevereiro.

Hoje, o presidente pediu para que os chilenos tenham calma e economizem energia.

Piñera estabeleceu um prazo de sete dias para alcançar a estabilidade no fornecimento de energia elétrica, período muito diferente dos seis meses estipulados pelo ministro da Energia, Ricardo Rainieri.

"Como ocorreu desde o terremoto de 27 de fevereiro, pelos próximos sete dias vamos ter um sistema elétrico instável", disse Piñera, que garantiu que o transformador estaria reparado em 48 horas.

No entanto, o ministro da Energia sustentou que o sistema elétrico só voltará ao normal depois de seis meses devido à fragilidade das redes após o terremoto e não descartou a possibilidade de novos cortes de energia no país.

Também houve contradições entre o próprio Piñera, seu ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, e o Onemi, dependente dessa pasta, em relação à rapidez da retomada do fornecimento de energia elétrica.

Hinzpeter afirmou hoje que "quase 100%" do fornecimento havia sido restabelecido apenas duas horas depois do blecaute, enquanto Piñera apontou que, a essa hora, o serviço estava 80% recuperado. O Onemi calculou esse índice em 72%.

A oposição chilena já questionou a eficácia da atuação do Governo diante do blecaute.

O presidente do Senado, o democrata-cristão Jorge Pizarro, opinou hoje que a atuação do Governo não foi "clara".

O senador socialista Juan Pablo Letelier criticou o novo diretor do Onemi, Vicente Núñez, por sua demora em detectar e informar sobre as causas do blecaute e pôs em dúvida que estivesse "à altura das circunstâncias".

Letelier usou a mesma expressão utilizada por Hinzpeter para questionar a saída de Carmen Fernández, anterior responsável pelo Onemi, que deixou o cargo diante das críticas que recebeu por não alertar sobre o tsunami que varreu a costa das regiões central e sul do Chile.

Por enquanto, a Superintendência de Eletricidade e Combustíveis iniciou uma investigação para esclarecer os motivos exatos do blecaute e o Governo anunciou que multará as empresas responsáveis.

Os principais problemas continuam apenas na região de Bio-Bío, que foi também uma das mais afetadas pelo terremoto e pelo tsunami subsequente.

O ministro do Interior assegurou que não houve "nenhuma desordem pública" por causa do blecaute e que, até o momento, só houve a detenção de dois homens que aproveitaram a escuridão para roubar apartamentos na cidade de Viña del Mar. EFE frf/bba

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