Ainda sem esclarecimentos, polêmica volta a confrontar Venezuela e Espanha

Caracas, 2 mar (EFE).- Um processo na Justiça espanhola que relaciona o Governo Hugo Chávez com a ETA e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) gerou uma nova polêmica entre Venezuela e Espanha, embora, segundo Caracas, não haja a intenção de prejudicar as relações bilaterais.

EFE |

Um dia após o Governo Chávez receber como "inaceitáveis" e "infundadas" as denúncias, o presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional venezuelana, Roy Daza, chamou de "inválida" a acusação formulada pelo juiz Eloy Velasco.

Daza, deputado do partido governista, afirmou que a "suposta argumentação sobre a qual o juiz" da Audiência Nacional espanhola "dita uma medida está viciada" por nunca ter ouvido as partes envolvidas.

Ele apontou, no entanto, que as declarações do juiz não modificarão as relações com a Espanha, que "chegaram a um estágio realmente ótimo".

Já o embaixador da Venezuela na Espanha, Isaias Rodríguez, reiterou hoje que a relação entre os dois países continua sendo "normal" e acontece "da mesma maneira que até agora vinha se desenvolvendo".

Nenhum membro do Governo venezuelano falou hoje sobre a questão, como também não houve reações por parte da oposição ao conteúdo do auto do juiz Velasco. Na segunda-feira, ele processou vários supostos membros da ETA e ativistas das Farc.

Segundo Velasco, há evidências da cooperação governamental venezuelana na ilícita colaboração entra as Farc e a ETA, "especialmente de Arturo Cubillas Fontán", que teve um cargo público na Venezuela.

Cubillas, um dos supostos membros da ETA processados pelo juiz, é casado com uma venezuelana que ocupou vários cargos públicos desde que Chávez chegou ao poder, em 1999. Ele mesmo assumiu em 2005 um cargo de diretoria no Escritório de Administração e Serviços do Ministério da Agricultura e Terras.

Na nota emitida na segunda-feira, o Governo venezuelano ressaltou que é feita referência "a um cidadão que reside na Venezuela desde maio de 1989, como produto dos acordos" entre os então presidentes venezuelano, Carlos Andrés Pérez, e espanhol, Felipe González.

Também disse que os questionamentos do juiz são produto da "desgastada farsa" do computador apreendido junto a Raúl Reyes, dirigente guerrilheiro morto há dois anos em um ataque do Exército colombiano a um acampamento das Farc no Equador.

Em visita ao Uruguai ontem, Chávez qualificou de "atrasos de um passado colonial" a denúncia do juiz espanhol, ao tempo que rejeitou a acusação de cooperação com a ETA e as Farc.

"Isso são restos ainda, tristes restos, das antigas correntes que alguns quiseram pendurar de novo aqui no nosso pescoço, mas nós somos livres", afirmou Chávez, a quem o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu explicações sobre o caso.

Já o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, afirmou hoje que o presidente venezuelano tem "vontade de cooperar" para esclarecer a acusação da Audiência Nacional.

Ele indicou que teve uma conversa por telefone com Chávez no fim de segunda-feira. Nela, o líder lhe teria mostrado a "rejeição" ao conteúdo do processo e seu compromisso de esclarecer as dúvidas sobre uma suposta cooperação com a ETA.

"Estamos à espera de poder esclarecer a situação e, quando tivermos todos os dados, logicamente, o Governo reagirá", disse Moratinos, que também conversou com o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

Além de rejeitar as acusações e mostrar disposição em esclarecer o assunto, Maduro disse a Moratinos que tem confiança de que o caso não prejudicará as boas relações entre os Governos.

A polêmica gerada pela denúncia do juiz Velasco surge no momento em que Caracas e Bogotá tentam recompor as abaladas relações, após a crise derivada do acordo militar que permite a militares dos Estados Unidos utilizar pelo menos sete bases na Colômbia.

Nesse sentido, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, anunciou hoje que, graças à mediação de um "grupo de países amigos", terá em breve uma reunião com o ministro venezuelano, como forma de preparar uma reunião entre Chávez e Álvaro Uribe. EFE eb/rr

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