VIENA (Reuters) - O Irã pode obter capacidade para produzir armas nucleares dentro de dois a cinco anos, mas até lá há muito tempo para resolver a questão, disse o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Mohamed ElBaradei, em entrevista transmitida na noite de domingo pela CNN. De acordo com ele, mesmo depois de acumular urânio enriquecido, o Irã enfrentaria obstáculos técnicos e políticos no desenvolvimento de armas atômicas.

"Há preocupação, mas não exagerem na preocupação", disse ElBaradei, numa aparente referência aos reiterados alertas lançados por Israel e os EUA contra o Irã. "Há um amplo tempo para envolver (o Irã), reverter a preocupação e passar para um maior envolvimento em vez de mais isolamento."

ElBaradei disse também que, para obter armas nucleares, o Irã teria de expulsar inspetores da AIEA, abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, reconfigurar sua produção de urânio, enriquecendo-o até um nível de maior pureza, e adequar o material às suas ogivas.

"Mesmo se eu seguir a CIA e outras (fontes de) inteligência dos EUA, as estimativas são que mesmo se eles passarem por todos esses cenários, ainda estamos falando em um prazo de dois a cinco anos", disse o egípcio.

O Irã diz que seu programa nuclear enriquece urânio apenas até o grau necessário para o uso em usinas atômicas civis. Teerã garante que seu objetivo é apenas gerar eletricidade, e por isso rejeita as ordens da ONU para suspender o programa de enriquecimento.

O último relatório da AIEA sobre o Irã, em novembro, dizia que o país pretende instalar uma segunda rede de 3.000 centrífugas de enriquecimento até o começo de 2009. De acordo com a agência, já há 3.800 máquinas em funcionamento e outras 2.200 sendo gradualmente introduzidas.

Alguns analistas ocidentais acreditam que o Irã terá até o final deste ano urânio enriquecido suficiente para produzir uma bomba. O Irã diz, porém, que não enriquecerá urânio no grau necessário para o uso em armas.

(Reportagem de Sylvia Westall)

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