AIEA pede que Irã confirme acordo por escrito

Agência da ONU diz que país deve ser enviar notificação que reafirme compromisso com texto acordado com Brasil e Turquia

iG São Paulo |

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Ahmadinejad faz sinal da vitória após assinatura de acordo
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pediu nesta segunda-feira ao Irã que confirme por escrito o acordo sobre a troca de parte de seu urânio levemente enriquecido por combustível no exterior.

"A AIEA recebeu o texto da declaração comum do Irã, da Turquia e do Brasil assinada nesta segunda-feira em Teerã", declarou a porta-voz da organização, Gill Tudor. "Agora, esperamos do Irã uma notificação escrita que indique que está de acordo com as disposições mencionadas na declaração".

Autoridades iranianas disseram à televisão estatal que o próximo passo seria alcançar os termos para a troca com o chamado Grupo de Viena - EUA, França, Rússia e a Agência Internacional de Energia Atômica. Eles disseram que enviarão um carta formal à AIEA confirmando o acordo em uma semana.

Irã, Brasil e Turquia assinaram um acordo para a troca de urânio iraniano por combustível nuclear enriquecido a 20% em território turco, com o objetivo de superar a crise provocada pela política de enriquecimento de urânio de Teerã. Em troca, o Irã teria o direito de receber no máximo em um ano 120 quilos de urânio enriquecido a 20% da Rússia e da França.

O acordo foi assinado pelos ministros das Relações Exteriores dos três países na presença dos presidentes iraniano, Mahmud Ahmadinejad, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. O projeto, resultado da mediação do Brasil, foi elaborado ao fim de 18 horas de negociações.

Os termos do pacto se assemelham a um acordo proposto pelo Ocidente no ano passado que ruiu pelo recuo do Irã. O acordo pode prejudicar as chances do governo Obama de conseguir a aprovação internacional para medidas punitivas contra o Irã. China e Rússia, que se mostraram muito relutantes em impor sanções a um grande parceiro comercial, poderiam usar o anúncio para pôr fim às discussões de medidas adicionais contra o país, que representariam a quarta rodada de sanções.

Acordo de outubro

Em outubro, a 1,2 tonelada que se supunha que o Irã enviaria ao exterior representava dois terços de seu estoque de combustível nuclear - suficiente para assegurar que não mantivesse material nuclear suficiente dentro do país para fabricar uma bomba nuclear. Mas agora a mesma quantidade de combustível representa uma proporção menor de seu estoque declarado.

De acordo com uma diplomata ocidental, que falou sob condição de anonimato, acredita-se que a quantidade de urânio pobremente enriquecido que o Irã estava preparado para enviar à Turquia representa um pouco mais da metade de seu atual estoque. "A situação mudou", disse.

O anúncio, que parece ter o objetivo de satisfazer as demandas internacionais, surge enquanto o Irã enfrenta crescente pressões políticas e econômicas. Apesar de o acordo ter sido considerado um passo positivo por especialistas da região, também há ceticismo se ele é real ou uma tática para transferir a culpa de um conflito para o Ocidente, enquanto atrapalha as perspectivas de o Conselho de Segurança da ONU de impor sanções, o que parecia possível daqui poucas semanas.

O Irã diz que seu programa é pacífico, enquanto o Ocidente diz que o objetivo do país é construir uma bomba. Essas acusações foram ampliadas pelo fato de o Irã ter aprimorado e testado sua capacidade de mísseis de longo alcance.

Com AFP e New York Times

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