AIEA: países muçulmanos tentam forçar debate sobre suposto arsenal de Israel

Viena, 29 set (EFE).- As autoridades israelenses reagiram hoje, na Assembléia Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, à tentativa de vários países muçulmanos de pressionar o Estado sobre sua suposta, mas não reconhecida, posse de armas nucleares.

EFE |

Com uma resolução intitulada "Capacidades Nucleares de Israel", o grupo tentou, pela terceira vez consecutiva em três anos, forçar um debate na AIEA sobre o país, o único do Oriente Médio suspeito de ter um arsenal atômico e que se recusa a assinar o Tratado de Não-Proliferação (TNP) nuclear.

Embora a proposta apresentada este ano para ser debatida na AIEA tenha eliminado o enunciado "Ameaça Nuclear de Israel", o Governo israelense criticou hoje as tentativas de inclusão do texto na agenda de trabalho.

O diretor-geral da Comissão de Energia Atômica de Israel, Shaul Chorev, disse que entre os promotores da resolução "há Estados que, até abertamente e nos mais altos fóruns internacionais, não reconhecem Israel e chegaram a pedir sua aniquilação".

Embora o israelense não tenha citado o Irã, frisou que "o cumprimento dos compromissos legalmente vinculativos de não-proliferação é a mais básica das medidas de criação de confiança".

Chorev também disse que tais medidas são "vitais para a criação das condições que facilitariam o processo de transformação do Oriente Médio em uma zona livre de armas de destruição em massa".

Em seu discurso no plenário da AIEA, Chorev lembrou que "três dos quatro casos amplamente conhecidos de não cumprimento" do regime de não-proliferação nuclear "ocorreram no Oriente Médio, em países-membros do TNP".

A referência do especialista foi aos casos de Líbia, Síria e Irã, este último em pauta na AIEA desde 2003.

"Infelizmente, nos últimos anos fomos testemunhas de significativos e perigosos fatos relacionados à proliferação nuclear" na região, declarou Chorev.

De novo sem mencionar o Irã, o representante israelense disse que "alguns países desenvolveram programas nucleares clandestinos com um desprezo total a suas obrigações legais internacionais e a seus compromissos".

Por sua vez, o embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, denunciou como "vergonhoso" o silêncio das potências ocidentais em relação à "posse de armas nucleares pelo regime sionista de Israel".

EFE as/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG