AIEA irrita-se com vazamento de informações sobre Síria

VIENA - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) criticou na terça-feira o fato de diplomatas terem revelado que o órgão encontrou traços de urânio em uma área da Síria sob investigação, afirmando que o vazamento configurava um esforço para prejulgar as conclusões a serem elaboradas pela entidade.

Reuters |

As críticas representam um raro momento de irritação ocorrido dentro da agência em virtude do vazamento de informações, o que, segundo alguns, pode dar peso político a suas descobertas técnicas sobre nações acusadas por potências ocidentais de contribuírem para a proliferação nuclear ilícita.

Vários diplomatas que acompanham o trabalho da entidade, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), disseram na segunda-feira que partículas de urânio processado haviam sido encontradas em algumas das amostras de material recolhidas naquele local por inspetores da AIEA.

Esse material, no entanto, não era suficiente para tirar conclusões sobre o desenvolvimento de alguma atividade nuclear ali, indicando apenas a necessidade de as investigações avançarem, disseram os diplomatas à Reuters.

Melissa Fleming, porta-voz da agência, confirmou que a AIEA elaborava um relatório sobre a Síria e que esse documento deve ser divulgado no encontro dos dirigentes da agência marcado para os dias 27 e 28 de novembro - algo que, segundo diplomatas, indicava que os inspetores haviam encontrado algo grave no território sírio.

No entanto, a porta-voz disse que a avaliação da AIEA sobre as descobertas feitas em uma visita realizada em junho ao local, que segundo os EUA abrigou um reator nuclear quase concluído antes de ser bombardeado por Israel, em 2007, não havia sido concluída e que qualquer declaração pública a respeito dela seria algo prematuro.

"Lamentamos que haja pessoas tentando prejulgar a avaliação técnica da AIEA. Nós, porém, estamos acostumados com esse tipo de esforço que visa inflar e minar o processo antes de todos os encontros do quadro de diretores da AIEA", disse Fleming.

A agência não contestou o conteúdo das revelações feitas na segunda-feira a respeito dos traços de urânio.

Segundo um diplomata familiarizado com a AIEA, a entidade preocupava-se com a possibilidade de o vazamento de informação não retratar o quadro por inteiro. Além disso, a divulgação de informações confidenciais antes de um anúncio oficial poderia desencorajar a Síria a cooperar.

O embaixador sírio junto à agência não respondeu às perguntas da Reuters. O governo da Síria tampouco se manifestou sobre o assunto. As autoridades sírias, no entanto, haviam rejeitado as acusações feitas por serviços de inteligência dos EUA indicando a construção de um reator de fabricação de plutônio naquele local.

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