AIEA investiga acusação dos EUA sobre reator nuclear da Síria

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) anunciou na sexta-feira que vai investigar as acusações norte-americanas de que a Coréia do Norte teria ajudado a Síria a construir um reator secreto, supostamente destruído em setembro por Israel.

Reuters |

Damasco nega a acusação e acusa Washington de envolvimento no bombardeio israelense contra seu território.

'A agência vai tratar a informação com a seriedade que merece e vai investigar a veracidade da informação', disse o diretor da AIEA, Mohamed El Baradei.

Ele confirmou ter recebido as informações do governo norte-americano, transmitidas também em detalhes nesta semana a congressistas dos EUA. A Casa Branca diz que o reator, caso tivesse sido concluído, poderia produzir plutônio, material passível de uso em armas nucleares.

'Segundo esta informação, o reator ainda não estava operacional e nenhum material nuclear foi introduzido nele', afirmou El Baradei em nota, acrescentando que a Síria estava obrigada por um tratado a notificar a AIEA sobre eventuais planos e obras de um reator nuclear.

O governo sírio divulgou uma nota em que diz, sem entrar em detalhes, que 'o governo dos EUA foi aparentemente parte da execução' do bombardeio israelense de setembro.

'O governo sírio lamenta a campanha de mentiras e falsificações por parte do governo dos EUA contra a Síria, incluindo as acusações de atividade nuclear', disse a nota, transmitida pela agência oficial síria de notícias.

Na quinta-feira, uma fonte oficial dos EUA disse sob anonimato que Washington não deu nenhum 'sinal verde' a Israel para atacar. Acredita-se que Israel tenha o único arsenal nuclear do Oriente Médio, na usina de Dimona, que não está aberta a inspeções internacionais.

El Baradei disse 'deplorar o fato' de que os EUA não entregaram essas informações 'no prazo oportuno, para que pudéssemos verificar sua veracidade e estabelecer os fatos'. As obras do reator teriam sido iniciadas em 2001.

'À luz disso, vejo o uso unilateral da força por parte de Israel vindo em prejuízo do devido processo de verificação que está no coração do regime de não-proliferação', acrescentou o egípcio.

A divulgação dessas informações pela Casa Branca aparentemente é uma forma de pressionar a Coréia do Norte, que tinha até o final de 2007 para entregar um inventário completo de suas atividades nucleares -- inclusive a suspeita de transferir tecnologia atômica a terceiros. O inventário não foi entregue.

Em troca dele, segundo um acordo multilateral para o desarmamento nuclear norte-coreano, Pyongyang receberia benefícios políticos e econômicos. O regime comunista norte-coreano já testou um dispositivo nuclear em outubro de 2006.

(Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Damasco, e Jack Kim, em Seul)

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